sexta-feira, 29 de abril de 2011

ATIVIDADE EM GRUPO: COMPONENTES DO SANGUE


1-ANALISAR EM GRUPO O RESULTADO IMPRESSO DE UM EXAME DE SANGUE.TRAGA-O PARA A CLASSE E COMPARE A ANÁLISE DE SEU GRUPO COM A DE OUTRO GRUPOS. TENTE DESCOBRIR TAMBEM:
a) O VOLUME DE HEMÁCIAS ESTÁ DENTRO DOS LIMITES CONSIDERADOS NORMAIS?

b) E O DE LEUCÓCITOS?

c) QUE TIPOS DE PROBLEMAS DE SAÚDE OS EXAMES DE SANGUE PODEM APONTAR?

2-a) PESQUISEM EM HOSPITAIS OU BANCOS DE SANGUE QUAIS SÃO OS REQUISITOS PARA QUE UMA PESSOA POSSA DOAR SANGUE?

b) PESQUISEM TAM BÉM AS LEIS QUE TRATAM DA DOAÇÃO DE ORGÃOS, QUE ORGÃOS PODEM SER DOADOS E QUAIS OS REQUISITOS EM CADA TIPO DE DOAÇÃO.

c) COM O AUXILIO DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS , DE LINGUA PORTUGUESA E DE ARTES, ELABOREM UMA CAMPANHA (COM CARTAZES, FOLHETOS, LETRAS DE MÚSICAS, ETC.)PARA ESTIMULAR A DOAÇÃO DE SANGUE E ORÇÃOS.

O RESULTADO DO TRABALHO PODE SER APRESENTADO PARA A COMUNIDADE ESCOLAR.NESSE CASO, ANTES DA APRESENTAÇÃO, O CONTEÚDO DEVE SER AVALIADO POR UM PROFISSIONAL DA ÁREA DE SAÚDE, QUE TAMBÉM PODERÁ SER CONVIDADO A PARTICIPAR DA APRESENTAÇÃO COM UMA PALESTRA SOBRE O ASSUNTO.



TRABALHO EM GRUPO: OS ALIMENTOS


1-ELABORE O CARDÁPIO DE UMA SEMANA COM UMA DIETA EQUILIBRADA, EM QUE ESTEJAM PRESENTES TODOS OS GRUPOS DE ALIMENTOS.UTILIZEM COMIDAS TÍPICAS DA REGIÃO.COM O AUXILIO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA, PESQUISEM OS TIPOS DE REFEIÇÕES MAIS CONSUMIDAS EM OUTRAS REGIÕES DO BRASIL E EM ALGUNS PAISES DO MUNDO. VEREFIQUE SE ESSAS REFEIÇÕES ESTÃO EQUILIBRADAS, ISTO É, SE POSSUEM TODOS OS NUTRIENTES NECESSÁRO À SAÚDE. DISCUTAM TAMBÉM A QUALIDADE NUTRITIVA DAS REFEIÇÕES DO TIPO fast-food (COMIDA RÁPIDA).

2-COM O AUXILIO DOS PROFESSORES DE MATEMÁTICA E DE GEOGRAFIA COLETEM E INTERPRETEM DADOS ESTATÍSTICOS SOBRE A DESNUTRIÇÃO NO BRASIL E DISCUTAM AS CAUSAS, AS POSSÍVEIS SOLUÇÕES E AS MEDIDAS  QUE O GOVERNO VEM TOMANDO PARA COMBATER ESSE PROBLEMA. COM O AUXILIO DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS, DE LINGUA PORTUGUESA E ARTES, ELABOREM UMA CAMPANHA (C0M CARTAZES, FRASES DE ALERTA, LETRAS DE MÚSICA, ETC.) PARA ESTIMULAR A COLABORAÇÃO DE TODOS NA RESOLUÇÃO DESSE PROBLEMA.

3-EM UM SUPERMERCADO OU FEIRA LIVRE, DESENVOLVA A SEGUINTE ATIVIDADE:

a) FAÇAM LISTAS DE FRUTAS, VERDURAS, LEGUMES, CARNES,PEIXES, AVES, DERIVADO DE LEITE E OUTROS PRODUTOS À VENDA, COM EXCEÇÃO DOS ENLATADOS E PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS.

b) ANOTEM AS SEGUINTES CARACTERISTICAS DE CADA PRODUTO: NOME, COR, ORIGEM (ANIMAL OU VEGETAL), VARIEDADES DO MESMO ALIMENTO (TIPOS DE LARANJA, PIMENTÃO...) PREÇO, COMO SÃO VENDIDOS (POR PESO, UNIDADE ETC.) E QUAIS SÃO OS ALIMENTOS DA ESTAÇÃO ( O PRÓPRIO COMERCIANTE PODE INFORMAR).

c) NO CASO DE ALIMENTOS VEGETAIS, ESPECIFICAR SE SÃO CAULES, FOLHAS, RAIZES, SEMENTES OU FRUTOS.

d) QUE NUTRIENTES CADA ALIMENTO É MAIS RICO? PESQUISEM.

e) PESQUISEM QUAL A COMPOSIÇÃO DE UMA CESTA BÁSICA E SOMEM OS PREÇOS DOS PRODUTOS QUE SE ENCONTRAM NA CESTA.COM O AUXILIO DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA, COMPARE O PREÇO DA CESTA BÁSICA COM O VALOR ATUAL DO SALÁRIO MÍNIMO. QUE CONCLUSÕES VOCÊS TIRAM DESSA COMPARAÇÃO?

APRESETAM AO FINAL, TODOS OS RESULTADOS DO TRABALHO PARA A CLASSE E PARA A COMUNIDADE ESCOLAR.

Lei ambiental: a mudança será para pior.

Crédito: Adriano Gambarini/WWF

O Código Florestal Brasileiro em vigor foi instituído em 15 de setembro de 1965, pela Lei 4.777, com objetivo de ser um instrumento legal para evitar a perda da biodiversidade, erosão e empobrecimento do solo assim como o assoreamento dos rios e demais corpos d’água. Um pequeno grupo de pessoas, porém muito poderoso em termos econômicos, alega que o Código Florestal está defasado, engessando o crescimento do país, além de comprometer a produção de alimentos, por reduzir a área destinada à agropecuária. Os argumentos acima citados não têm embasamento científico.

O primeiro aargumento relacionado à defasagem não está correto, pois mesmo sendo instituído em 1965, o Código Florestal passou por inúmeras revisões e medidas provisórias, que foram adequando-o às condições atuais. A segunda afirmativa também não é verdadeira, pois os grupos que estão descontentes com o atual Código Florestal em sua maioria são latifundiários, empresários do agronegócio, produtores de commodities destinadas predominantemente à exportação. Grande parte da produção originária do agronegócio, que detêm 75% das terras do nosso país, consiste em matéria prima para exportação, enquanto a agricultura familiar, detendo apenas 25% das terras, produz em torno de 77% do nosso alimento (MDA - Ministério do Desenvolvimento Agrário).

A alegação de que a legislação ambiental compromete a produção de alimentos devido à redução de áreas destinadas à agropecuária é facilmente derrubada pelos dados do pesquisador Gerd Sparovek da renomada Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (ESALQ). Em seus trabalhos, Gerd mostra que atualmente existe no país mais de 100 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser recuperadas e tornarem-se áreas produtivas. Esta área é imensa quando comparada aos 67 milhões de hectares atualmente ocupados pela agricultura. Além dos atualmente 211 milhões de hectares ocupados pela pecuária num modelo de baixíssima produtividade, produzindo 1,1 animais por hectare.

Hoje existem inúmeros trabalhos científicos mostrando que a produtividade do setor agropecuário pode facilmente ser dobrada, sem derrubar uma árvore, e respeitando os dispositivos do atual Código Florestal. O Projeto de Lei 1.876/99 foi construído para atender os interesses da minoria anteriormente citada, as quais têm a maior fração de terras em nosso país e possuem o maior passivo ambiental. Em nenhum momento a comunidade científica do nosso país foi convidada a participar da construção de uma nova proposta.

Por outro lado, pesquisas mostram que a nossa sobrevivência depende de um conjunto de benefícios advindos dos serviços ecossistêmicos. Estes serviços são os benefícios que as pessoas recebem dos ecossistemas, e as florestas são de extrema importância, pois nos fornecem uma série de serviços como as chuvas, purificação das águas, preservação dos recursos hídricos, fonte de alimento, resinas, fármacos, produção de oxigênio, ciclagem de nutrientes, dentre vários outros. Estes serviços são comprometidos quando as áreas de florestas são substituídas por outros usos do solo (Milenio, 2006).

O Projeto de Lei 1.876/99 tira a função ambiental de preservação das Áreas de Proteção Permanente (APPs). Como o próprio nome diz, as áreas de APP devem ser preservadas e não apenas conservadas como propõem o substitutivo. A proposta também retira da categoria de APP os topos de morros, montes, montanhas, serras e áreas com altitude superior a 1.800m. A cada dia, recebemos inúmeras notícias via meios de comunicação, sobre relatos trágicos com a perda de centenas de vidas devido à ocupação irregular das áreas de encostas. Até mesmo os leigos neste assunto sabem da importância em se preservar estas áreas. Não são necessários dados científicos, para entendermos a importância da preservação das APPs, basta assistir diariamente as noticias em nosso país.

Outra categoria de APP que está seriamente ameaçada, ou seja, deixará praticamente de existir, são as matas ciliares, nas margens dos rios. O código em vigor institui como área de APP as margens dos rios, considerando o leito maior do rio, ou seja, o leito do rio durante o período de cheia. O PL 1876/99 propõe que se considere a margem do rio levando em conta o leito menor.

Imaginamos o exemplo do rio Uatumã, que o Professor Fernando Jardim citou em recente debate na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), que apresenta na seca largura de 100 m, enquanto no período de cheia 5.000 m. Ao aprovar o PL 1876/99, a área de APP, calculada a partir do leito menor do rio (período de seca), ficaria restringida a 200 m. Dessa forma, os 500 metros de faixa marginal que hoje é considerada APP poderiam ser totalmente desmatados, e 4.800 m, ou seja, 96% do canal do rio, estariam livres para qualquer uso. Além das áreas de APPs desaparecerem, o leito do rio poderá ser ocupado.

Ao aceitar a proposta do substitutivo, podemos amanhã estar construindo nossas casas ou mesmo plantando soja, cana-de-açúcar, fumo dentre outras culturas dentro do leito dos rios. E quando o rio encher e levar nossas casas e nossas plantações, de quem será a culpa? Foi simplesmente castigo de Deus?




Fonte: http://raizasas.blogspot.com/2010/11/codigo-florestal-o-retorno_04.html

Como já foi demonstrada em vários trabalhos, a mata ciliar é o ecossistema de maior importância para a manutenção da vida aquática dos rios. Ela serve como filtro na retenção de sedimentos, agrotóxicos e fertilizantes originários das áreas alteradas, seja pela ocupação urbana ou rural. À medida que eliminamos as matas ciliares, estamos também ameaçando os peixes, fonte de proteína de extrema importância para comunidades tradicionais ribeirinhas, indígenas, caboclos, que, em muitos casos, são comunidades com a maior carência de alimento, as quais dependem dos rios para sua sobrevivência.

Outra grande ameaça está relacionada à Reserva Legal (RL), a qual o atual Código Florestal caracteriza como necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos e à conservação da biodiversidade. O uso sustentável, no referido código, permite o uso e manejo das áreas de Reserva Legal. Pelo PL 1876/99, a Reserva Legal passará a ter como função principal o uso econômico, e a conservação passa a ser uma função auxiliar. Permite ainda que, no caso da ausência de Reserva Legal no imóvel, poderá ser realizada a compensação ambiental da área sob regime de servidão ambiental em outra bacia hidrográfica, ou seja, podemos desmatar em Paragominas (PA), e compensar em Xapuri no Acre.

Ao falar em Reserva Legal, não podemos esquecer que a floresta é responsável por grande parte das chuvas, pois, via evapotranspiração, joga umidade para atmosfera. Segundo Antônio Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), “A Amazônia é uma bomba hidrológica impressionante, que lança diariamente 20 bilhões de toneladas de água na atmosfera, garantindo que uma área responsável por 70% do PIB sul-americano seja devidamente irrigada.” Em 1985, o pesquisador Eneas Salati já mostrava que, na Amazônia, no mínimo 50% da chuva tem origem na umidade que a própria floresta produzia. Além da regulação climática de temperatura, umidade e precipitação, as florestas são de extrema importância para manutenção dos estoques de carbono armazenados na biomassa viva.


“Como iremos cumprir o acordos internacionais assinados, nos quais o
Brasil se comprometeu em reduzir as emissões de gases de efeito estufa,
 se estamos aprovando uma legislação que estimula e legaliza o
 desmatamento de milhões de hectares de vegetação nativa?”

No processo de corte e queima da vegetação, ocorre grande emissão de carbono para a atmosfera. Atualmente, dos 7,6 bilhões de toneladas de carbono liberadas anualmente para a atmosfera, a queima de florestas tropicais ainda é responsável pela emissão de 1,6 bilhões de toneladas. Neste cenário, o Brasil é considerado um dos países que mais contribui para este tipo de emissão, devido ao desmatamento principalmente do bioma Amazônico. Segundo estimativas do Observatório do Clima, caso aprovadas as alterações no Código Florestal, estaremos legalizando uma emissão em torno de 25 bilhões de toneladas de CO2 , ou seja, emissão 13 vezes superior as que ocorreram no ano de 2007. Como iremos cumprir os acordos internacionais assinados, nos quais o Brasil se comprometeu em reduzir as emissões de gases de efeito estufa, se estamos aprovando uma legislação que estimula e legaliza o desmatamento de milhões de hectares de vegetação nativa?

A liberação de milhões de hectares de vegetação nativa para o desmatamento elevará ainda mais as concentrações dos gases de efeito estufa na atmosfera, e os efeitos sobre o clima poderão ser mais intensos. Ao falar em mudanças climáticas, devemos citar o estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinhas (UNICAMP) (Pellegrino, G. Q., Assad, E. D.; Marin, F. R.) publicado na Revista Multiciência, Campinas, no ano de 2007. Segundo este estudo, num cenário bastante otimista com o aumento de apenas 3° C da temperatura, as áreas hoje utilizadas pela agricultura não terão aptidão para as mesmas culturas, e enfrentaremos nos próximos anos sérios riscos no que diz respeito à segurança alimentar em nosso país. Dados deste estudo indicam a redução das áreas para as culturas como feijão (11%), arroz (18%), café (58%), milho (7%) e a soja (39%). A única cultura que será beneficiada com o aumento da temperatura é a cana-de-açúcar, a qual poderá dobrar sua área de produção, ou seja, estamos reduzindo a produção de alimento e estimulando a produção de etanol.

O Projeto de Lei 1.876/99 propõe ainda a isenção de recuperação da reserva legal para propriedades com até quatro módulos fiscais. Módulo fiscal é uma unidade de área estabelecida criada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) que varia em área de 5 a 110 hectares, dependendo da região. O projeto prevê ainda que em grandes áreas, a recuperação deverá ser realizada somente na área que exceder aos 4 módulos fiscais, ou seja, uma propriedade de 500 ha, onde o módulo fiscal é de 100 ha, localizado no bioma amazônico que prevê reserva legal de 80%, existiria a necessidade de recuperar apenas 80 hectares.

“Além de favorecer uma pequena minoria, estaremos estimulando as emissões de gases de efeito estufa, mudanças climáticas com aumento da temperatura, sérias interferências sobre o ciclo hidrológico com secas e enchentes cada vez mais extremas, aumento do nível do mar, salinização dos rios, perda irreversível da biodiversidade, insegurança alimentar, ameaça às populações mais pobres, já que estas vivem nas áreas menos favorecidas, dentre várias outras conseqüências.”

Qualquer pessoa, com um mínimo de instrução, pode fazer uma rápida revisão bibliográfica e constatar que hoje, ao avançar com o desmatamento sobre as áreas de floresta, a nossa produtividade num futuro próximo poderá ser limitada pela falta de água. Segundo José A. Marengo, pesquisador do CPTEC – INPE, a floresta amazônica é capaz de gerar diariamente níveis de vapor d'água oriundos do processo de evapotranspiração, em quantidades altamente significativas, alimentando a atmosfera com umidade e formando os "rios voadores", que conforme os movimentos da circulação geral da atmosfera são deslocados para a região centro-oeste, sudeste e sul do país. No momento em que ocorre uma grande supressão da vegetação no Bioma Amazônico, grande parte do Brasil deixará de ser beneficiado com a umidade da Amazônia.

Se o Projeto de Lei 1.876 for aprovado, será um grande retrocesso em termos de desenvolvimento, enquanto a comunidade internacional fala em sustentabilidade, redução de impactos ambientais, estamos aprovando uma legislação que legaliza justamente o contrário. Além de favorecer uma pequena minoria, estaremos estimulando as emissões de gases de efeito estufa, mudanças climáticas com aumento da temperatura, sérias interferências sobre o ciclo hidrológico com secas e enchentes cada vez mais extremas, aumento do nível do mar, salinização dos rios, perda irreversível da biodiversidade, insegurança alimentar, ameaça às populações mais pobres, já que estas vivem nas áreas menos favorecidas, dentre várias outras conseqüências.

Hoje dispomos de tecnologia para aumentar a nossa produtividade, com técnicas de plantio direto, sistemas agroflorestais, sistemas agrossilvopastoris que além de aumentar a produtividade, minimizam os impactos sobre os recursos hídricos. Também possuímos técnicas eficientes para a recuperação de áreas degradada para tornar novamente produtivo os sistemas degradados. É hora de a sociedade refletir e debater sobre como conciliar economia e meio ambiente, produção e soberania alimentar, agricultura e democratização do acesso à terra, e não ficarmos reféns de um modelo produtivista excludente e depredador dos recursos naturais.
artigo escrito por pesquisadores de diversas universidades do país.






segunda-feira, 18 de abril de 2011

HIV na mira de vacina brasileira

 Vacina contra Aids desenvolvida por pesquisadores da USP e testada em camundongos induz maior resposta imunológica se comparada com similares. Potencial está relacionado com a capacidade de driblar a mutabilidade do vírus.
Por: Gabriela Reznik
Publicado em 18/04/2011 | Atualizado em 18/04/2011
Testada em camundongos, uma vacina brasileira contra a Aids foi capaz de induzir a proliferação de linfócitos T CD4, principal alvo do HIV e responsável por reger o sistema imune no controle de infecções. (foto: Jean Scheijen/ Sxc.hu)
Uma nova vacina preventiva para Aids está obtendo resultados promissores em testes com camundongos. Desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o composto tem como diferencial conseguir driblar a principal característica do vírus HIV: sua mutabilidade.
O HIV replica-se e espalha-se muito rapidamente pelo organismo. Como não há tempo para o controle de qualidade da replicação, ocorrem erros nesse processo e o vírus muda de forma. Assim, cada pessoa infectada passa a ter uma diversidade viral.
A nova vacina utiliza fragmentos de proteínas do HIV que se mantêm conservados na maioria das formas do vírus
A nova vacina utiliza fragmentos de proteínas do HIV que se mantêm conservados na maioria das formas do vírus e são responsáveis por deflagrar a resposta imunológica do organismo. Esses fragmentos foram retirados do subtipo B do vírus, que responde por 90% dos casos de Aids no Brasil.
A escolha dos fragmentos foi feita com base no monitoramento, iniciado em 2001, de um grupo especial de portadores de HIV, os chamados progressores lentos. Esses pacientes permanecem durante dez anos ou mais sem apresentar qualquer infecção, enquanto a média para aparição de sintomas é de cinco anos.
“Os fragmentos selecionados são capazes de gerar uma resposta imunológica em 100% dos progressores lentos e 90% dos pacientes de outros grupos”, diz o imunologista Edécio Cunha-Neto, que coordena a pesquisa.
Cunha-Neto explica que os fragmentos de proteína estimulam a produção de linfócitos T CD4, o principal alvo do HIV. Essas células regem as principais funções do organismo no controle de uma infecção: estimulam tanto células que produzem anticorpos quanto os linfócitos T CD8, que liberam toxinas em resposta ao vírus e matam as células infectadas.

HIV e linfócitos
Vírus HIV (em verde) na superfície de linfócitos humanos. (foto: C. Goldsmith/ CDC)
A maioria das vacinas elaboradas até então focavam no estímulo ao aumento dos linfócitos T CD8, mas a resposta dessas células é menos eficaz se os linfócitos T CD4 não estão ativados, ou seja, se ainda não tiveram contato com o vírus e não receberam estímulo para alimentar a resposta imune.

Faca de dois gumes

O estímulo à proliferação de linfócitos T CD4 pode ser uma vantagem, por um lado, e um risco, por outro. Quando o HIV penetrasse no organismo, encontraria uma maior quantidade de linfócitos T CD4 em alerta – estimulados pela vacina –, o que poderia gerar uma maior replicação viral, já que essas células são o alvo do HIV.
Cunha-Neto não acredita nessa possibilidade. “Estudos anteriores em que foi induzida maior produção de células T CD4 em macacos mostram que a replicação do HIV não aumenta; em várias vacinas, foi até menor.”
Segundo o pesquisador, a vacina, que já foi patenteada no Brasil, Estados Unidos e União Europeia com o nome HIVBr18, obteve resultados animadores em uma primeira fase de testes com camundongos convencionais e camundongos que expressavam parte da diversidade imunológica humana. Nos animais estudados, a imunização por HIVBr18 induziu a proliferação dos linfócitos T em geral e o reconhecimento de 11 dos 18 fragmentos pelas células T CD4.
Mesmo que os resultados das próximas etapas sejam positivos, dificilmente o produto chegará à população sem uma substancial ajuda governamental
No entanto, como o vírus não infecta esses camundongos, agora a vacina será testada em camundongos mutantes, que receberão transplante de medula óssea humana para desenvolverem um sistema imune similar ao nosso. Nos próximos meses, também estão previstos testes com primatas, cedidos pelo Instituto Butantan. O pesquisador espera que, daqui a dois anos, terminem os estudos com animais e possam se iniciar os primeiros testes em humanos.
Apesar do potencial da nova vacina, Cunha-Neto pondera que, mesmo que os resultados das próximas etapas sejam positivos, dificilmente o produto chegará à população sem uma substancial ajuda governamental. “Tivemos apoio de agências de fomento nacionais para essas fases iniciais do estudo, mas não é fácil conseguir recursos para financiar testes de eficácia em humanos”, diz, acrescentando que essa fase da pesquisa requer entre 100 e 150 milhões de dólares.
“Esse tipo de decisão é política”, avalia. “Além disso, dificilmente uma empresa privada investiria em uma vacina de HIV, pois o histórico das pesquisas mostra que a chance de dar certo é menor que a de dar errado.”
O imunologista ressalta ainda que o desenvolvimento de uma vacina para a Aids não descarta a necessidade da prevenção por métodos convencionais. “Mesmo se houvesse uma vacina eficaz, ainda seria preciso se prevenir de outras formas”, diz. E completa: “A vacina será apenas mais um componente da estratégia de prevenção.”
Gabriela Reznik

Ciência Hoje On-line

domingo, 17 de abril de 2011

Diversidade escondida na Oceania

Equipe internacional de cientistas identifica mais de 200 novas espécies de plantas e animais nas selvas montanhosas de Papua-Nova Guiné. A descoberta permitirá que se estabeleçam prioridades na conservação de regiões ainda pouco conhecidas no país.
Por: Ana Paula Monte
Publicado em 14/04/2011 | Atualizado em 14/04/2011
Entre as novas espécies de plantas e animais identificadas nas florestas montanhosas de Papua-Nova Guiné estão 24 rãs, como a da foto, encontrada 30 metros acima do solo, vivendo na copa das árvores. (foto: Stephen Richards/ CI)
Por milênios, as cordilheiras e florestas de Papua-Nova Guiné, arquipélago localizado na Oceania, restringiram a interação entre grupos indígenas locais e criaram um dos países de maior diversidade linguística e cultural do mundo. Essas mesmas barreiras foram as responsáveis por limitar, durante muito tempo, explorações científicas nesse território e guardar a sete chaves sua rica biodiversidade.
Mas um projeto recente mudou esse quadro. Durante dois meses de expedição às inóspitas florestas das montanhas Nakanai e da cordilheira Muller, em Papua-Nova Guiné, pesquisadores identificaram mais de 200 novas espécies de animais e plantas. A viagem, realizada em 2009, foi planejada pelas organizações Conservação Internacional e A Rocha Internacional.
“O projeto teve como objetivo documentar em todo o mundo a biodiversidade de ambientes ricos em espécies, mas ainda pouco conhecidos”, afirma o cientista ambiental Martin Kaonga, diretor de Ciências e Conservação da organização A Rocha Internacional. “Também buscamos mobilizar a comunidade local para desenvolver e implementar estratégias de conservação na região.”
Entre os resultados da expedição, anunciados em outubro de 2010, está o registro de 24 espécies de rãs, dois mamíferos, nove espécies de plantas, quase 100 insetos – incluindo libélulas, gafanhotos e formigas – e aproximadamente 100 aranhas, todos novos para a ciência.

Mamífero de Papua-Nova Guiné
Os pesquisadores descobriram uma espécie de rato que representa um gênero de mamífero totalmente novo para a ciência. Sua cauda, comprida e branca, o distingue de todos os outros ratos da região. (foto: Stephen Richards/ CI)
“Alguns desses animais são tão diferentes de outras espécies já conhecidas que representam gêneros totalmente novos”, destaca Kaonga. Nesse grupo estão incluídos pelo menos um mamífero e uma formiga, além de vários tipos de cigarras.
Kaonga ainda ressalta outras duas descobertas: uma nova espécie de begônia; e uma nova espécie do gênero Rhododendron, cujas flores chamaram atenção por alcançarem até oito centímetros de comprimento, o que não é comum para plantas desse grupo.
Planta Rhododendron
Nova espécie do gênero ‘Rhododendron’, cujas plantas estão entre as mais procuradas no sudeste asiático e na Melanésia por causa de seu valor ornamental. (foto: Wayne Takeuchi)

Difícil acesso

Chegar ao interior da floresta tropical localizada sobre as montanhas Nakanai e a cordilheira Muller foi, segundo Kaonga, “um verdadeiro Everest” para a equipe. Os pesquisadores precisaram voar de avião, helicóptero e fazer o resto do trajeto a pé para conseguir alcançar o seu destino final.
Outro grande desafio foi o tempo ruim. “As fortes chuvas afetaram equipamentos e atrasaram a mobilidade do grupo”, conta o cientista ambiental. “Além disso, os nevoeiros causavam problemas constantes e complicavam o pouso do helicóptero na área.”
Se, por um lado, o inóspito terreno de Papua-Nova Guiné gerou contratempos para os pesquisadores, por outro tem servido como um poderoso aliado na conservação dessa e de muitas outras regiões do país.
“O terreno acidentado e montanhoso contribuiu para a proteção dessas espécies por tanto tempo”, reforça Kaonga. “Todas elas estavam em lugares bem remotos e quase inacessíveis”, diz.
Gafanhoto de Papua-Nova Guiné
Gafanhoto recém-descoberto em Papua-Nova Guiné. Em uma amostra relativamente pequena de 42 exemplares desses insetos, os pesquisadores identificaram pelo menos 20 novas espécies. (foto: Piotr Naskrecki/ iLCP)
A documentação das novas espécies permitiu o desenvolvimento de um projeto de conservação ambiental no país. “Buscamos uma estratégia de preservação em conjunto com a comunidade”, explica o cientista. “Além disso, realizamos um trabalho de educação ambiental com a população, para que ela aprecie o valor dos recursos únicos existentes em suas florestas.”
Kaonga espera ainda que os resultados da expedição apoiem as candidaturas das montanhas Nakanai e da cordilheira Muller a membros da lista de patrimônio da humanidade da Unesco. “Também estamos na expectativa de que essas informações levem a uma revisão da lista vermelha de espécies ameaçadas no mundo”, completa.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Palavras podem machucar mais do que uma agressão física

Palavras podem machucar mais do que uma agressão física
Será mesmo que palavras podem machucar mais do que uma agressão física? Sem dúvidas está afirmação é totalmente correta! É claro que a maneira será totalmente diferente, uma agressão física machuca o corpo e deixam machucados que com o tempo cicatrizam, mas existem certas palavras, que nem mesmo o tempo fazem com que as feridas sejam curadas.
È claro que está afirmação não serve para todos, pois algumas pessoas não ligam, perdoam facilmente, e acabam esquecendo. Mas quando uma pessoa pega na ferida, toca em um assunto que marcou muito a vida da pessoa só mesmo para magoar é difícil depois esquecer.
Então tome cuidado com aquilo que você fala para as pessoas, muitas vezes nem é para magoar, mas o ser humano é sim muito frágil, e diversas vezes acaba se machucando com certas palavras. Evite tocar em assuntos que possam magoar a pessoa e seja mais atencioso no que fala! Mas caso, um dia venha a falar algo que resulte em lágrimas, peça desculpas e mude logo de assunto!

Bullying: quando a escola não é um paraíso

Geane de Jesus Silva,
psicopedagoga, professora de Psicologia da Educação e
coordenadora pedagógica, Jitaúna, BA.
Endereço eletrônico: enaeg@hotmail.com

Brigas, ofensas, disseminação de comentários maldosos, agressões físicas e psicológicas, repressão. A escola pode ser palco de todos esses comportamentos, transformando a vida escolar de muitos alunos em um verdadeiro inferno.

Gislaine, aluna da 2ª série, de oito anos, estava faltando frequentemente à escola. Quando comparecia, chorava muito e não participava das aulas, alegando dores de cabeça e medo. Certo dia, alguns alunos procuraram a professora da turma dizendo que a garota estava sofrendo ameaças. Teria que dar suas roupas, sapatos e dinheiro para outra aluna, caso contrário apanharia e seria cortada com estilete.

Carlos, da 5ª série, foi vítima de alguns colegas por muito tempo, porque não gostava de futebol. Era ridicularizado constantemente, sendo chamado de gay nas aulas de educação física. Isso o ofendia sobremaneira, levando-o a abrigar pensamentos suicidas, mas antes queria encontrar uma arma e matar muitos dentro da escola.

Os casos descritos acima são reais e revelam a agressão sofrida por crianças dentro da escola, colhidos e narrados por Cleo Fante como parte de uma pesquisa sobre a violência nas escolas, publicados em seu livro “Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz”. Esses e muitos outros casos de agressões e violências entre os alunos desde as séries iniciais até o ensino médio, demonstram uma realidade assustadora que muitos desconhecem, ou não percebem, trazendo à tona a discussão sobre o fenômeno bullying, o grande vilão de toda essa história. Mas o que é? Quais as causas? Como prevenir?

Significado do termo

A palavra bullying é derivada do verbo inglês bully que significa usar a superioridade física para intimidar alguém. Também adota aspecto de adjetivo, referindo-se a “valentão”, “tirano”. Como verbo ou como adjetivo, a terminologia bullying tem sido adotada em vários países como designação para explicar todo tipo de comportamento agressivo, cruel, intencional e repetitivo inerente às relações interpessoais. As vítimas são os indivíduos considerados mais fracos e frágeis dessa relação, transformados em objeto de diversão e prazer por meio de “brincadeiras” maldosas e intimidadoras.

Desconhecimento e indiferença

Estudos indicam que as simples “brincadeirinhas de mau-gosto” de antigamente, hoje denominadas bullying, podem revelar-se em uma ação muito séria. Causam desde simples problemas de aprendizagem até sérios transtornos de comportamento responsáveis por índices de suicídios e homicídios entre estudantes.
Mesmo sendo um fenômeno antigo, mantém ainda hoje um caráter oculto, pelo fato de as vítimas não terem coragem suficiente para uma possível denúncia. Isso contribui com o desconhecimento e a indiferença sobre o assunto por parte dos profissionais ligados à educação. Pode ser manifestado em qualquer lugar onde existam relações interpessoais.

Conseqüências marcantes

As conseqüências afetam a todos, mas a vítima, principalmente a típica (ver quadro), é a mais prejudicada, pois poderá sofrer os efeitos do seu sofrimento silencioso por boa parte de sua vida. Desenvolve ou reforça atitude de insegurança e dificuldade relacional, tornando-se uma pessoa apática, retraída, indefesa aos ataques externos.
Muitas vezes, mesmo na vida adulta, é centro de gozações entre colegas de trabalho ou familiares. Apresenta um autoconceito de menos-valia e considera-se inútil, descartável. Pode desencadear um quadro de neuroses, como a fobia social e, em casos mais graves, psicoses que, a depender da intensidade dos maus-tratos sofridos, tendem à depressão, ao suicídio e ao homicídio seguido ou não de suicídio.
Em relação ao agressor, reproduz em suas futuras relações, o modelo que sempre lhe trouxe “resultados”: o do mando-obediência pela força e agressão. É fechado à afetividade e tende à delinqüência e à criminalidade.
Isso, de certa maneira, afeta toda a sociedade. Seja como agressor, como vítima, ou até espectador, tais ações marcam, deixam cicatrizes imperceptíveis em curto prazo. Dependendo do nível e intensidade da experiência, causam frustrações e comportamentos desajustados gerando, até mesmo, atitudes sociopatas.

O papel da educação

A educação do jovem no século XXI tem se tornado algo muito difícil, devido à ausência de modelos e de referenciais educacionais. Os pais de ontem, mostram-se perdidos na educação das crianças de hoje. Estão cada vez mais ocupados com o trabalho e pouco tempo dispõem para dedicarem-se à educação dos filhos. Esta, por sua vez, é delegada a outros, ou em caso de famílias de menor poder aquisitivo, os filhos são entregues à própria sorte.
Os pais não conseguem educar seus filhos emocionalmente e, tampouco, sentem-se habilitados a resolverem conflitos por meio do diálogo e da negociação de regras. Optam muitas vezes pela arbitrariedade do não ou pela permissividade do sim, não oferecendo nenhum referencial de convivência pautado no diálogo, na compreensão, na tolerância, no limite e no afeto.
A escola também tem se mostrado inabilitada a trabalhar com a afetividade. Os alunos mostram-se agressivos, reproduzindo muitas vezes a educação doméstica, seja por meio dos maus-tratos, do conformismo, da exclusão ou da falta de limites revelados em suas relações interpessoais.
Os professores não conseguem detectar os problemas, e muitas vezes, também demonstram desgaste emocional com o resultado das várias situações próprias do seu dia sobrecarregado de trabalhos e dos conflitos em seu ambiente profissional. Muitas vezes, devido a isso, alguns professores contribuem com o agravamento do quadro, rotulando com apelidos pejorativos ou reagindo de forma agressiva ao comportamento indisciplinado de alguns alunos.

O que a família pode fazer?

Não há receita eficaz de como educar filhos, pois cada família é um mundo particular com características peculiares. Mas, apesar dessa constatação, não se pode cruzar os braços e deixar que as coisas aconteçam, sem que os educadores (primeiros responsáveis pela educação e orientação dos filhos e alunos) façam algo a respeito.
A educação pela e para a afetividade já é um bom começo. O exercício do afeto entre os membros de uma família é prática primeira de toda educação estruturada, que tem no diálogo o sustentáculo da relação interpessoal. Além disso, a verdade e a confiabilidade são os demais elementos necessários nessa relação entre pais e filhos. Os pais precisam evitar atitudes de autoproteção em demasia, ou de descaso referente aos filhos. A atenção em dose certa é elementar no processo evolutivo e formativo do ser humano.

O que a escola pode fazer?

Em relação à escola, em primeiro lugar, deve conscientizar-se de que esse conflito relacional já é considerado um problema de saúde pública. Por isso, é preciso desenvolver um olhar mais observador tanto dos professores quanto dos demais profissionais ligados ao espaço escolar. Sendo assim, deve atentar-se para sinais de violência, procurando neutralizar os agressores, bem como assessorar as vítimas e transformar os espectadores em principais aliados.
Além disso, tomar algumas iniciativas preventivas do tipo: aumentar a supervisão na hora do recreio e intervalo; evitar em sala de aula menosprezo, apelidos, ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo. Também pode-se promover debates sobre as várias formas de violência, respeito mútuo e a afetividade tendo como foco as relações humanas.
Mas tais assuntos precisam fazer parte da rotina da escola como ações atitudinais e não apenas conceituais. De nada valerá falar sobre a não-violência, se os próprios profissionais em educação usam de atos agressivos, verbais ou não, contra seus alunos. Ou seja, procurar evitar a velha política do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Ações exemplares

Há diversos exemplos claros de ação eficiente contra o bullying no espaço escolar. Uma delas é o programa “Educar para a paz”, criado e desenvolvido por Cleo Fante e equipe, que trabalha com estratégias de intervenção e prevenção contra a violência na escola. Além disso, também existem sites sobre o assunto como que visam a alertar e informar profissionais e pais no combate ao bullying. Destaca-se o trabalho da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Criança e ao Adolescente, com os sites: www.abrapia.org.br e www.bullying.com.br


Características de bullying

Segundo Cleo Fante, no livro “Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz”, os atos de bullying entre alunos apresentam determinadas características comuns:

• Comportamentos deliberados e danosos, produzidos de forma repetitiva num período prolongado de tempo contra uma mesma vítima;
• Apresentam uma relação de desequilíbrio de poder, o que dificulta a defesa da vítima;
• Não há motivos evidentes;
• Acontece de forma direta, por meio de agressões físicas (bater, chutar, tomar pertences) e verbais (apelidar de maneira pejorativa e discriminatória, insultar, constranger);
• De forma indireta, caracteriza-se pela disseminação de rumores desagradáveis e desqualificantes, visando à discriminação e exclusão da vítima de seu grupo social.

Os protagonistas do bullying
A vítima pode ser classificada, segundo pesquisadores, em três tipos:

• Vítima típica: é pouco sociável, sofre repetidamente as conseqüências dos comportamentos agressivos de outros, possui aspecto físico frágil, coordenação motora deficiente, extrema sensibilidade, timidez, passividade, submissão, insegurança, baixa auto-estima, alguma dificuldade de aprendizado, ansiedade e aspectos depressivos. Sente dificuldade de impor-se ao grupo, tanto física quanto verbalmente.

• Vítima provocadora: refere-se àquela que atrai e provoca reações agressivas contra as quais não consegue lidar. Tenta brigar ou responder quando é atacada ou insultada, mas não obtém bons resultados. Pode ser hiperativa, inquieta, dispersiva e ofensora. É, de modo geral, tola, imatura, de costumes irritantes e quase sempre é responsável por causar tensões no ambiente em que se encontra.

• Vítima agressora: reproduz os maus-tratos sofridos. Como forma de compensação procura uma outra vítima mais frágil e comete contra esta todas as agressões sofridas na escola, ou em casa, transformando o bullying em um ciclo vicioso.

O agressor pode ser de ambos os sexos. Tem caráter violento e perverso, com poder de liderança, obtido por meio da força e da agressividade. Age sozinho ou em grupo. Geralmente é oriundo de família desestruturada, em que há parcial ou total ausência de afetividade. Apresenta aversão às normas; não aceita ser contrariado, geralmente está envolvido em atos de pequenos delitos, como roubo e/ou vandalismo. Seu desempenho escolar é deficitário, mas isso não configura uma dificuldade de aprendizagem, já que muitos apresentam nas séries iniciais rendimento normal ou acima da média.

Espectadores são alunos que adotam a “lei do silêncio”. Testemunham a tudo, mas não tomam partido, nem saem em defesa do agredido por medo de serem a próxima vítima. Também nesse grupo estão alguns alunos que não participam dos ataques, mas manifestam apoio ao agressor.

Como identificar os envolvidos?
De acordo com as indicações de Dan Olweus, psicólogo norueguês da Universidade de Bergen e importante pesquisador sobre o assunto, para que uma criança ou adolescente seja identificado como vítima ou agressor, pais e professores precisam ter atenção se o mesmo apresenta alguns comportamentos:

VÍTIMA

Na escola
• Durante o recreio está freqüentemente isolado e separado do grupo, ou procura ficar próximo do professor ou de algum adulto;
• Na sala de aula tem dificuldade em falar diante dos demais, mostrando-se inseguro ou ansioso;
• Nos jogos em equipe é o último a ser escolhido;
• Apresenta-se comumente com aspecto contrariado, triste, deprimido ou aflito;
• Desleixo gradual nas tarefas escolares;
• Apresenta ocasionalmente contusões, feridas, cortes, arranhões ou a roupa rasgada, de forma não-natural;
• Falta às aulas com certa freqüência;
• Perde constantemente os seus pertences.

Em casa
• Apresenta, com freqüência, dores de cabeça, pouco apetite, dor de estômago, tonturas, sobretudo de manhã;
• Muda o humor de maneira inesperada, apresentando explosões de irritação;
• Regressa da escola com as roupas rasgada ou sujas e com o material escolar danificado;
• Desleixo gradual nas tarefas escolares;
• Apresenta aspecto contrariado, triste deprimido, aflito ou infeliz;
• Apresenta contusões, feridas, cortes, arranhões ou estragos na roupa;
• Apresenta desculpas para faltar às aulas;
• Raramente possui amigos, ou se possui, são poucos os que compartilham seu tempo livre;
• Pede dinheiro extra à família ou furta;
• Apresenta gastos altos na cantina da escola.

AGRESSOR

Na escola
• Faz brincadeira ou gozações, além de rir de modo desdenhoso e hostil;
• Coloca apelidos ou chama pelo nome e sobrenome dos colegas, de forma malsoante;
• Insulta, menospreza, ridiculariza, difama;
• Faz ameaças, dá ordens, domina e subjuga;
• Incomoda, intimida, empurra, picha, bate, dá socos, pontapés, beliscões, puxa os cabelos, envolve-se em discussões e desentendimentos;
• Pega materiais escolares, dinheiro, lanches e outros pertences dos outros colegas, sem consentimento.

Em casa
• Regressa da escola com as roupas amarrotadas e com ar de superioridade;
• Apresenta atitude hostil, desafiante e agressiva com pais e irmãos, chegando a ponto de atemorizá-los sem levar em conta a idade ou a diferença de força física;
• É habilidoso para sair-se bem em “situações difíceis”;
• Exterioriza ou tenta exteriorizar sua autoridade sobre alguém;
• Porta objetos ou dinheiro sem justificar sua origem.

Bibliografia indicada
CONSTANTINI, Alessandro. Bullying, como combatê-lo? : prevenir e enfrentar a violência entre jovens. SP: Itália Nova editora, 2004.
CURY, A. J. Pais brilhantes, professores fascinantes. RJ: Sextante, 2003.
FANTE, Cleo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2. ed. rev. Campinas, SP: Verus editora, 2005.
TIBA, Içami. Quem ama, educa! SP: Gente, 2002.

sábado, 9 de abril de 2011

Se não cuidar da água, ela pode acabar

Ao contrário do que parece, a água é um recurso natural esgotável. Estudos sobre o sistema hídrico mundial são unânimes em indicar que, se a média de consumo global não diminuir no curto prazo, teremos problemas de escassez. O Brasil, que tem uma parcela significativa de água doce, também está ameaçada.

Você acorda de manhã, acende a luz, toma um banho quente e prepara o café. Após se alimentar, limpa a boca com um guardanapo e lava a louça. Vai ao banheiro, escova os dentes e está pronto para dirigir até a escola para mais um dia de trabalho. Se parar para pensar, vai ver que, para realizar todas essas atividades, foi preciso usar água. A energia vinda das quedas d’água (via hidrelétricas) é que faz lâmpadas acenderem, chuveiros aquecerem e geladeiras refrigerarem. E para produzir o guardanapo que você passou pela boca é necessária muita água. Sem esquecer que o combustível de seu carro também contém a substância.

Usando uma expressão que tem a ver com o tema, seria "chover no molhado" dizer que a água é essencial para a nossa vida. Sem ela em quantidade e qualidade adequadas, não é apenas o desenvolvimento econômico-social e a nossa rotina que ficam comprometidos, mas também a nossa própria sobrevivência. Só existimos porque há água na Terra. Por isso, a disponibilidade desse recurso é uma das principais questões socioambientais do mundo atual. De acordo com o relatório trienal divulgado em 2009 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2025, cerca de 3 bilhões de pessoas - mais da metade da população mundial - sofrerão com a escassez de água. "Se a média de consumo global não diminuir, o cotidiano da população pode ser afetado drasticamente, inclusive no Brasil", diz José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia de São Carlos e autor de livros sobre o tema.

Para ficar por dentro do assunto, o primeiro passo é compreender que, diferentemente do que ocorre com as florestas, a água é um recurso que tem quantidade fixa. Em teoria, dá para reflorestar toda a área desmatada da Amazônia, pois as árvores se reproduzem. Mas não é possível "fabricar" mais água. Segundo O Atlas da Água, dos especialistas norte-americanos Robin Clarke e Jannet King, a Terra dispõe de aproximadamente 1,39 bilhão de quilômetros cúbicos de água, e essa quantidade não vai mudar. Desse total, 97,2% dela está nos mares, é salgada e não pode ser aproveitada para consumo humano. Restam 2,8% de água doce, dos quais mais de dois terços ficam em geleiras, o que inviabiliza seu uso. No fim das contas, menos de 0,4% da água existente na Terra está disponível para atender às nossas necessidades. E a demanda não para de crescer.
A escassez hídrica na África é um problema econômico Robin Clarke e Jannet King fazem um alerta: "Não se engane: o abastecimento de água no mundo está em crise, e as coisas vêm piorando". A crise a que eles se referem pode ser de três tipos. Há escassez física quando os recursos hídricos não conseguem atender à demanda da população, o que ocorre em regiões áridas, como Kuwait, Emirados Arábes e Israel, ou em ilhas como as Bahamas. E existe a escassez econômica que assola, por exemplo, o Nordeste brasileiro e o continente africano. Há ainda regiões ou países que vivem sob o risco de crises de abastecimento e de qualidade das águas pelo uso exagerado do recurso. Austrália, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e Japão sofrem com isso. "A recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) é que o consumo médio seja de 50 litros diários por habitante. Há países em que esse índice não passa de 5 litros. Já nas regiões mais desenvolvidas, uma pessoa usa em média 400 litros por dia", diz Tundisi.

A crise pode ser explicada por vários motivos: desmatamento, ocupação de bacias hidrográficas, poluição de rios, represas e lagos, crescimento populacional, urbanização acelerada e o uso intensivo das águas superficiais e subterrâneas na agricultura e na indústria."Especialmente nos últimos 100 anos, o impacto da exploração humana dos recursos hídricos aumentou muito e trouxe consequências desastrosas", comenta Tundisi. De fato, segundo a Unesco, de 1900 a 2025, o total anual de consumo de água no mundo terá aumentado quase dez vezes.










FONTE:NOVA ESCOLA,2010.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PROJETO: CONVIVÊNCIA UM EXERCÍCIO DE VALORES

MATERIAL:

# 2 LITROS DE LEITE FERVIDO E AINDA MORNO.

#1 COPO DE IOGURTE NATURAL.

# 1 COLHER ( DE SOPA).

#VASILHA COM TAMPA.

#GELADEIRA.

 

COMO FAZER

# PEGAR O LEITE FEVIRDO, E AINDA MORNO.

#ACRESCENTE O IOGURTE NATURAL AO LEITE E MISTURE BEM.

# TAMPE A VASILHA E DEIXE-A TAMPADA E EM REPOUSO POR, PELO MENOS,

6 HORAS.

-OBSERVE SE O LEITE CALHOU. SE TIVER COALHADO, QUARDE A VASILHA TAMPADA NA GELADEIRA, DURANTE ALGUMAS HORAS.

-ESTA PRONTO O IOGURTE NATURAL.PARA TOMA-LO MAIS SABOROSO, NA HORA DE SERVIER, ACRESCENTE LEITE CONDENSADO OU GELATINA EM PÓ E BATA NO LIQUIDIFICADOR. VOCÊ PODE AINDA ADICIONAR POUPA DE FRUTAS, AVEIA, MEL OU OUTROS INGREDIENTES A SEU GOSTO.

 

SE VOCÊ QUISAR PREPARAR MAIS IOGURTE, RESERVE UM COPO SEM A ADIÇÃO DE OUTROS INGREDIENTES PARA SUA PROXIMA RECEITA.

 

DISCUSSÃO:

1-POR QUE O LEITE UTILIZADO NA RECEITA DEVE ESTA MORNO E NÃO FERVENTE OU GELADO?

2-QUAL A FUNÃO DO IOGURTE NATURAL ADICIONADO AO LEITE?

3-O QUE DÁ AO IOGURTE QUE VOCÊ PREPAROU O SABOR LIGEIRAMENTE AZEDO? QUAL ORIGEM DESSE MATERIAL?

PROJETO: Matemática e educação ambiental

O desejo de envolver jovens a tratarem das preocupações ambientais e dos problemas de aprendizagem em Matemática levou à criação do projeto Matemática e meio ambiente. Foi uma maneira de enfocar esses assuntos de forma contextualizada e atualizada, relacionando o meio ambiente aos conteúdos desenvolvidos em sala de aula.

     A Lei nº 9.795, que dispõe sobre a educação ambiental, em seus capítulos I e II, institui que, como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental. As instituições educativas ficam incumbidas de promovê-la de maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem. Ações de estudos, pesquisas e experimentações deverão se voltar para o desenvolvimento de instrumentos e metodologias, visando à par ticipação dos interessados na formulação e na execução de pesquisas relacionadas à problemática ambiental. Iniciamos o projeto com base nesse recorte da lei e nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática, que apontam como um dos objetivos do Ensino Fundamental saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos.
DESENVOLVIMENTO

• Criação de cartões para o dia das mães com papel reciclado, feito por  grupo.
• Peça teatral Meio ambiente, reciclagem e matemática, que retrata uma gincana cultural em uma escola, com questionamentos sobre rios e córregos da cidade; reciclagem e a coleta seletiva do lixo seco e porcentagem de cada tipo de lixo em relação ao todo coletado.
• Filme Romance, ecologia e matemática, que trata de uma história em uma sala de aula. Nela são apresentados dados e informações sobre o lixo doméstico.
A professora explica proporção e a sua propriedade fundamental.

• Filme Jornal da ecologia: os repórteres entrevistam o dono de um bar situado à beira do Rio Jaguari, o qual fala sobre o valor desse rio, da preservação do meio ambiente e da importância de não jogar o lixo nos rios.
Hipertexto apresenta a estatística relacionada a uma pesquisa de campo sobre a coleta seletiva do lixo realizada no bairro, a história do município, notícias, informações e entrevistas.
• Mostra de todos os trabalhos e textos à comunidade escolar.
Ficha técnica



Objetivos do projeto: Mobilizar a comunidade escolar sobre a importância de preservar o meio ambiente, a partir da produção de materiais didáticos sobre o tema, buscando mostrar que a Matemática pode auxiliar nesse processo. Melhorar o desempenho em Matemática.


Componentes curriculares envolvidos: Matemática, Geografia, Português, Educação Artística e Informática.


Duração: ao longo do ano letivo.


Avaliação: os alunos serão avaliados por meio de seus relatos escritos, atitudes e avaliações dos conteúdos.Na mudanças de atitudes e a melhora no desempenho, o interesse e a participação nas aulas.

PROJETO: AMBIENTE QUE TEMOS E O AMBIENTE QUE QUEREMOS

PROJETO PEDAGÓGICO
A educação ambiental deve estar presente de forma interdisciplinar em todo o currículo escolar. Assim poderá atingir todos os cidadãos por meio de um processo pedagógico participativo, que procure construir no educando uma visão crítica sobre as questões ambientais.
 É notória a progressiva degradação ambiental que favorece o esgotamento das reservas naturais e dos recursos não renováveis. Diante desta problemática, deve-se promover a formação de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria de qualidade ambiental. Este projeto visa a envolver toda a comunidade para debater as questões socioambientais, buscando estratégias para diminuir as agressões ao meio em que vivemos, bem como desenvolver ações que contribuam para a melhoria de vida na comunidade e na escola.

Acontecendo na prática

     Em princípio, o tema deve ser explorado em sala de aula, por meio de leitura e pesquisa, produções textuais, exibição de documentários, aulas expositivas dialógicas, discussões e debates. Após esta etapa, iniciar as atividades práticas, com oficinas para produção de objetos reciclados, painéis educativos, pinturas no muro da escola, trabalhos utilizando o papel reciclado, maquetes com o tema “o ambiente que temos e o ambiente que queremos” e confecção de um jornal ecológico, registrando os efeitos positivos, as soluções criativas, mensagens e dicas.

     A organizar a escola com latas específicas para a separação de lixo seco e orgânico, cartazes e placas indicando ações, como “não jogue lixo no chão”, “poupe água” etc.

     Ao final do projeto deve acontecer exposições com as obras de arte dos alunos, em que os pais puderam visitar os estandes, conhecer a reciclagem e participar das palestras, recebendo ainda lembranças recicladas produzidas pelos próprios alunos.

Avaliação do projeto

     Perceber a mudança de hábito dos alunos no que se refere à coleta seletiva do lixo e à própria limpeza do ambiente escolar. Os trabalhos reciclados,  construído de sofá com garrafas PET. A horta na escola é uma experiência que vem dando certo em muitas instituições.O plantio de algumas árvores nas mediações da escola. É perceptível a conscientização dos nossos alunos, os resultados ainda maiores devem acontecer a longo prazo.
Ficha técnica
Duração: seis meses.
Componentes curriculares envolvidos: todas as disciplinas .

Turmas atendidas: ensino fundamental e médio.

Objetivos:
• promover e discutir a importância da educação ambiental na escola, garantindo aos alunos e a toda a comunidade escolar mudanças de atitudes para a modificação de práticas nocivas ao meio ambiente;
• desenvolver valores, atitudes e posturas éticas;
• perceber como os problemas causados pela poluição atingem diretamente a sociedade;
• sensibilizar e capacitar os alunos como agentes multiplicadores dos princípios de reaproveitamento e reciclagem de papel, de modo a estimular a preservação e conservação dos recursos naturais;
• mobilizar os alunos e a comunidade sobre a responsabilidade de todos para a modificação de atitudes nocivas ao meio ambiente;
• promover a reutilização e a reciclagem do papel descartado na unidade escolar;
• desenvolver ações práticas de coleta seletiva do lixo como forma de educar e mudar comportamentos.

Atividades para diferentes disciplinas

Língua Portuguesa: trabalho de conscientização e concurso das melhores frases educativas para exposição em todo o colégio. Confecção de jornal escolar ecológico.

Matemática: trabalhar com estatística, tabelas e gráficos relacionados com dados ambientais.

Ciências: conhecer as plantas e diferenciá-las em relação aos tipos comestíveis, medicinais, as que servem para fornecer madeira, entre outros. Colecionar os diversos tipos de folhas, estudar suas diferenças, ensinar a desidratar as folhas e flores, e com elas formar pequenos quadros.

Biologia: criação da horta da escola.

Química e Física: fazer o reaproveitamento do lixo orgânico.
Artes: produção de objetos reciclados para exposição. Produção de trabalho com o papel reciclado.
Geografia: confecção de maquetes, orientar um debate sobre questões (desmatamento e queimadas, efeito estufa, pesca predatória, aquecimento global).
Filosofia e Sociologia: pesquisas e produções de textos, realizar trabalhos que relacionem a devastação ambiental à lógica do capitalismo, trabalhar valores e comportamentos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pessoas com baixa autoestima são mais preconceituosas

Thiago Perin 29 de março de 2011
Eu me odeio! Portanto, odeio você também.
Você está na pior? Está se sentindo mal consigo mesmo? Degradar os outros pode ajudá-lo a melhorar esse humor. Não estamos fazendo apologia à discriminação, é claro, apenas contando o que cientistas da Universidade da Califórnia (EUA) constataram.
Segundo eles, o preconceito é usado como uma ferramenta de autoafirmação: as pessoas criam estereótipos e discriminam quem é diferente para melhorar a própria autoestima. Algo do tipo: “não estou muito feliz com as minhas ações; então, vou pensar que aquela pessoa ali é pior do que eu”. E pronto: teoricamente, o indivíduo fica mais satisfeito na própria pele.
Em testes, os caras colocaram voluntários brancos para associar, como bem entendessem, palavras positivas e negativas a imagens de pessoas brancas e negras que apareciam em um monitor. Isso após fazerem um teste escrito e terem a autoestima manipulada – alguns ouviram que tinham se saído bem na prova, enquanto outros receberam um feedback ruim.
Confirmando a hipótese, aqueles que estavam se sentindo mal com a performance no teste mostraram mais sinais de preconceito. Como ninguém está imune a este efeito, os pesquisadores dão a dica: fique esperto. “Quando você se pegar pensando negativamente a respeito de um grupo, diga para si mesmo: ‘eu posso estar me sentindo assim porque fui mal num teste’ ou algo assim”, diz o líder do estudo, Jeffrey Sherman.

FONTE:REVISTA SUPERINTERESSANTE,março de 2011

Florestas rendem bilhões para a economia



Florestas de pé não são boas só para a biodiversidade. Elas geram bilhões para a economia. Quando as tratarmos como empresas, aí, sim, o desmatamento pode cair a zero. Ou abaixo de zero.
Um Maracanã de floresta acaba de desaparecer. Isso desde que você começou a ler este texto, há 1 segundo. Amanhã, neste mesmo horário, você levará a vida como sempre - esperamos. Mas os integrantes de 137 espécies de plantas, animais e insetos, não. Eles terão o destino que 50 mil espécies por ano têm: a extinção. Argumentos como os 15 Maracanãs de mata tropical devastados desde o início deste parágrafo - agora, 17 -, são fortes, mas nem sempre suficientes para que algo seja feito. Só que existe outro, talvez ainda mais persuasivo: dinheiro não dá em árvore, mas árvore dá dinheiro.

Hoje, manter uma
floresta em pé é negócio da China. Em uma área estratégica perto do rio Yang Tsé, o governo chinês paga US$ 450 aos fazendeiros por hectare reflorestado. O objetivo é conter as enchentes que alteram o fluxo de água do rio. Equilíbrio ecológico, manutenção do ecossistema, mais espécies preservadas, esses são os objetivos do Partido Comunista Chinês? Não.

Trata-se de um investimento. O reflorestamento mantém o curso do rio estável e as árvores, sozinhas, aumentam a quantidade de chuva - as plantas liberam vapor d
’água durante a fotossíntese. Resultado: mais água no Yang Tsé. O que isso tem a ver com dinheiro? A água alimenta turbinas das hidrelétricas distribuídas pelo rio - inclusive a megausina de Três Gargantas, 50% maior que Itaipu, que abriu as comportas em 2008.

Investindo em reflorestamento, os chineses agem de forma pragmática. Pagar fazendeiros = mais árvores. Mais árvores = mais água no rio. Mais água = mais energia elétrica barata (ainda mais no país que inaugura duas usinas a carvão por semana para dar conta de crescer como cresce). Mais energia barata, mais produção para a
economia - e dinheiro para pagar os reflorestadores. O final dessa equação é surreal para os padrões brasileiros. A China, nação que mais polui e que mais consome matéria-prima, tem índice de desmatamento zero. Abaixo de zero, até: eles plantam mais árvores do que derrubam.

Não é só lá que as árvores valem
dinheiro. No país que melhor preserva sua floresta tropical acontece a mesma coisa. É a Costa Rica. Os donos de terras de lá são pagos para manter áreas de floresta intactas. Parte do dinheiro vem de uma companhia hidrelétrica interessada em manter os rios que usa fluindo.

Florestas, hidrelétricas... Só esses dois pontos já deixam claro que o Brasil tem algo a aprender. O berço da maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira (e 3ª do mundo) fica em plena
Floresta Amazônica. É Belo Monte, no rio Xingu, a 40 quilômetros da cidade de Altamira, no Pará.

A partir de 2015, ela vai servir 26 milhões de habitantes. O dado mais célebre dela é outro: os 512 km2 de
floresta inundada por suas barragens. É a área de uma cidade média, toda debaixo d
’água.

Mesmo
assim, a usina pode fazer mais bem do que mal para a mata. Pelo menos nas próximas décadas. Se seguirmos a lógica da China e da Costa Rica, faz sentido que Belo Monte pague algo pela manutenção da floresta, já que sem ela não tem chuva o bastante, e sem chuva o bastante não tem energia.

E não são só hidrelétricas que lucram com as árvores de pé, e que podem pagar para mantê-las assim. O ciclo de chuvas da
Floresta Amazônica é o que garante nossas safras agrícolas - sem ele, boa parte do país seria um deserto. A ONU calcula que mesmo uma queda mínima na quantidade de chuvas que a floresta produz pode trazer prejuízos entre US$ 1 bilhão a US$ 30 bilhões para a agricultura nos arredores da Amazônia.

As estimativas são imprecisas por uma limitação da ciência: não há como saber se um tanto de desmatamento vai provocar outro tanto de bagunça no ritmo das chuvas. Mas todo mundo sabe que a relação existe. O problema é quantificá-la. Mesmo assim, faz sentido imaginar um futuro em que os produtores agrícolas paguem pela
preservação de florestas como uma espécie de seguro contra a falta de chuvas.

Claro que, se ficar só na conversa, nunca vai acontecer nada. Mas um grupo de cientistas americanos deu um passo importante. Criaram um software que busca calcular com alguma precisão quanto uma área desmatada ou reflorestada pode gerar em lucros (ou prejuízos) para a
economia de uma região. O nome do programa é engenhoso: InVEST (Valoração Integrada de Serviços e Compensações do Ecossistema, em inglês - haja paciência para inventar uma sigla dessas). E ele já saiu do mundo das ideias: é o software que a China usa para gerenciar o retorno de seu reflorestamento. Enquanto isso, devastamos mais 200 Maracanãs no tempo que você levou para ler este texto.
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