sábado, 30 de julho de 2011

Vivendo e aprendendo: AMACIANTE - Todos os Usos.

      
Vivendo e aprendendo

O Comfort  e outros amaciantes de primeira linha tem fixador de perfume na composição, por isso o cheirinho é especialmente duradouro.

Dá para limpar todos os vidros, azulejos e móveis da cozinha por um mês, usando apenas uma ou duas tampinhas de amaciante.
Use o amaciante como lustra móvel  NÃO TEM POEIRA QUE RESISTA...

AMACIANTE - Todos os Usos

 - coloque em um frasco de álcool vazio, dois dedos de amaciante, dois dedos de álcool e complete com água. Aplique em pisos com pano úmido - além de limpar, desinfetar, deixa um cheiro gostoso.Um veterinário, que aplica diariamente no chão da clínica. Ele me ensinou isso depois que "queimei"as patinhas de minha cachorrinha com produtos fortes para desinfecção de chão.

Faço um Passe Bem doméstico, para passar minha roupa:
1 litro de água,

Uma xícara de chá de amaciante,
Uma xícara de chá de álcool
Misturo tudo, coloco em um borrififador...
Ao passar a roupa, é só borrifar... É barato e rende muito.

Para deixar o seu piso limpinho, brilhante e cheiroso, ao invés de desinfetante ou aqueles limpa-pisos caros, coloque na água que servirá para a limpeza um pouco de amaciante. Deixa o piso que é uma beleza. Você nunca mais vai querer usar outra coisa.
"Esta do amaciante é ótima. E aproveito a água da máquina de lavar com amaciante e passo em toda a casa. Deixa a casa perfumada e economiza água."

Uso também o amaciante como:

Lustra-móveis; limpa vidros; limpo geladeira por fora; azulejos; passo nas portas, quando não tenho desinfetante, usa-o nos banheiros, e onde mais der eu passo. Não é Bombril, mas tem 1001 utilidades!!!

Eu uso nos meus armários de cozinha e nos gabinetes do banheiro que são de fórmica branco-foscos. Não manchou nada até hoje. Por isso, continuei usando...

E também descobri mais usos do amaciante, porque minha diarista havia manchado meu guarda-roupa que é da cor tabaco com óleo de peroba, ou sei lá o quê... E só consegui tirar depois de muitos produtos usados, com o danado do amaciante.

Isso já faz mais de 1 ano e continuo passando amaciante nos móveis e não ficaram nem ensebados, nem manchados. Mas se  você estiver com medo, passe em um cantinho que não apareça, para fazer o teste e ver se gosta...

Tirar manchas de cola
Eu uso para tirar mancha de cola do chão, aquela que as etiquetas do tapete deixam... É só colocar em cima e deixar um tempinho, depois é só limpar com um pano e pronto!

Estava aflita com o meu Box. Ele é de vidro fumê bem lisinho.
Por mais que eu lavasse e esfregasse levemente com Bombril e água sanitária com sabão, algumas manchas simplesmente não saiam.
Ontem, eu deixei o vidro secar bem e passei Bombril seco. Incrível! As manchinhas saíram com a maior facilidade! E eu morrendo de tanto esfregar com Cândida!
Quando terminei eu dei polimento com uma mistura de álcool e o Comfort.
- Coloquei 200 ml de amaciante e preenchi com álcool até ele ficar ralo o suficiente para passar pelo tubinho de spray. Apliquei com um pano bem macio e bem seco em movimentos circulares e em um minuto estava tudo brilhando. O truque foi apertar o spray apenas uma vez em cada área do vidro e esfregar em movimentos circulares até sumir. Quando o pano já estiver levemente úmido, não precisa reaplicar.
 PS: Quanto mais produto, mais trabalho para fazê-lo sumir.

Essa mistura de álcool e Comfort eu passei levemente no sofá e nas cortinas. A casa está cheirosa há HORAS. O banheiro idem.

Acho legal borrifar (levemente) também nos edredons e tapetes na hora de pô-los no sol.

Também estou passando este spray nas camas, todos os dias de manhã.

               RECOMENDAÇÕES DE UMA AMIGA, USEI E GOSTEI.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Economia de energia elétrica;Mitos e verdades.

Pequenas mudanças nos hábitos diários e uso dos aparelhos eletrodomésticos podem reduzir a sua conta de luz no final do mês. A importância de controlar o consumo está não apenas em economizar dinheiro, mas também em evitar o desperdício. “Daqui a 300 anos, a vida será diferente. Nossos netos vão reclamar da nossa geração, que foi a primeira a conhecer o problema das mudanças climáticas e do uso da energia e ainda não deu sinais definitivos de que vai resolver o problema”, afirma Agenor Gomes Pinto Garcia, consultor em eficiência energética e autor do livro Leilão de Eficiência Energética no Brasil.

Para esclarecer os dez principais mitos e verdades enviados pelos leitores, Eco conversou com o professor Garcia e também com o especialista em economia de energia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professor Gilberto Jannuzzi.

1.    As lâmpadas fluorescentes são mais econômicas do que as incandescentes (amarelas)? E as lâmpadas de LED?

Numa escala de mais a menos econômicas e eficientes, os especialistas destacam as lâmpadas de LED, em primeiro lugar, seguidas das fluorescentes – compactas e tubulares, e, por último, as incandescentes. No entanto, se compararmos o preço pago pelo consumidor na hora da compra da lâmpada, a diferença significativa do valor do produto leva muitas pessoas a comprarem as lâmpadas amarelas. “Como regra geral, deve-se evitar o uso das incandescentes, que são baratas, mas cuja energia gasta custa caro ao final do mês”, explica Garcia.

Como as de LED ainda estão em desenvolvimento, o seu valor na hora da compra ainda não proporciona uma relação positiva de custo (preço da lâmpada) x benefício (energia economizada) para a maioria da população. Assim, optar pelas fluorescentes  ainda é a melhor escolha.

2.    Computadores: o que gasta menos energia, deixar ligado 24h ou ligar e desligar cada vez que vai usar? E com o monitor do computador, é o mesmo procedimento?

Se o tempo de pausa entre um uso e outro do computador for pequeno, em torno de 15 minutos, por exemplo, não vale à pena ligar e desligar todos os componentes. Apenas desligar o monitor, que consome bastante energia, já ajuda na economia. Agora se as pausas entre os usos forem longas, mais de uma hora, os especialistas aconselham desligar tudo. Outra opção é programá-los para entrar em modo de espera ou desligamento automático após uma hora sem uso, para o caso de o usuário esquecê-lo ligado. Se puder optar entre um computador e um laptop ou notebook prefira esses últimos, que são muito mais econômicos.

3.    O mito de que ligar e desligar os aparelhos e as lâmpadas consome mais energia do que manter ligado é verdade?

É relativo, segundo os especialistas, pois dependerá do tempo que você os deixar ligado desnecessariamente. Segundo Garcia, a melhor prática é apagar a luz sempre que sair do aposento, “pois nunca se sabe ao certo quanto tempo vai se passar fora”. Ele explica que, embora haja um pico na hora do ligamento, sua duração é mínima (energia é sempre a composição de potência e tempo), então a energia gasta é desprezível.
No entanto, Jannuzzi lembra que a questão pode ir além do consumo de energia, mas sim na vida útil do equipamento. “Quando o intervalo for muito pequeno, no máximo 15 minutos, é melhor deixar a luz ligada (se for fluorescente) para não fazer a mudança de temperatura da lâmpada. Você vai consumir um pouco de energia, mas prolongar a vida útil do equipamento, que é prejudicado pelo liga e desliga intenso”, explica.

4.    O chuveiro é mesmo o vilão da conta de luz?

A característica dos chuveiros elétricos é consumir muita eletricidade em um período curto de tempo. Os dois fatores mais importantes são a potência do equipamento e o tempo de banho. “Atualmente temos chuveiros de até 12.000 watts, que, durante o banho, equivalem a 200 lâmpadas acesas ao mesmo tempo”, relata Jannuzzi. No sul do Brasil, onde faz mais frio e usa-se os chuveiros no modo inverno, a média de consumo desse equipamento costuma responder por cerca de 1/3 do consumo de eletricidade de uma residência.

Para economizar é preciso tomar banhos mais curtos ou ter outro sistema para aquecer a água, como a energia solar. Dependendo do custo do gás na região, a energia solar pode ser uma opção eficiente.

5.    O microondas também é um dos grandes consumidores de energia elétrica em casa?
O microondas é outro exemplo de aparelho com grande potência, mas com curto período de utilização – demora-se menos esquentando um copo de leite ou um prato de comida do que tomando banho. Por isso, não costuma pesar muito na conta de luz. “A menos que se tenha o mau hábito de usá-lo para cozinhar, em vez de só para aquecer, seu consumo não é tão alto. Conheci uma pessoa que o usava só pela preguiça de lavar panelas. Nesse caso, é melhor lavá-las, com certeza!”, esclarece Garcia.

6.    Chuveiro e ar-condicionado 220 volts gastam menos energia que os de 110 volts?

Os especialistas afirmam que a diferença no consumo de energia entre aparelhos 220 volts e 110 volts é pequena e não afeta de maneira significativa o consumo. No entanto, Jannuzzi destaca que em 220 volts os equipamentos vão funcionar melhor, ter um bom desempenho, além de prolongar a sua vida útil.

7.    Abrir a geladeira várias vezes ao dia gasta mais energia?

O grande problema nessa questão da abertura da geladeira é muito mais o tempo que se gasta com ela aberta do que a quantidade de vezes que se abre a porta. Claro que a cada abertura há uma troca de calor do interior do equipamento com o ambiente, que está mais quente, e se gasta mais energia para resfriá-la em seguida. Dessa forma, quanto menos tempo a porta for mantida aberta, mais economia de energia será feita.

Outro desperdício muito comum em geladeiras decorre do desgaste da borracha vedadora, por onde o ar frio escapa e o ar quente entra. Para testar se sua geladeira está em boas condições, coloque uma folha de papel e feche a porta: se conseguir retirar a folha com a porta fechada está na hora de trocar a borracha.

8.    Ao usar o ferro de passar roupa, é melhor passar muitas peças a cada vez ou todo dia passar uma peça?

A maior parte da energia gasta ao passar a roupa é na hora de esquentar o ferro. Uma vez que o ferro esteja quente é melhor passar a maior quantidade possível de roupas. O professor Garcia destaca a semelhança entre o ferro e a máquina de lavar roupas: “Ela deve ser usada sempre próxima à sua capacidade máxima para economizar água e energia. Pesar o lote de roupas com uma balança é uma boa maneira de verificar se a quantidade separada é ideal”.

9.    É mito ou não que os aparelhos que mantemos plugados na tomada, mesmo quando desligados, continuam gastando energia?

É verdade! O professor Jannuzzi ressalta que “a melhor opção de economia é desconectar os aparelhos da tomada, pois mesmo os melhores equipamentos, nessa situação, consomem 1 watt/hora. Cada aparelho conectado consome durante o ano todo 8,7 quilowatts. Como pagamos cerca de 40 centavos por quilowatt/hora (preço no Rio de Janeiro), isso representa um gasto próximo de 4 reais/ano por aparelho”.

Garcia lembra que o apelido desse desperdício é “energia vampira” e que ela já preocupa os responsáveis pelas políticas energéticas. “Cada um gasta um pouquinho, porém, como hoje em dia há muitos aparelhos, a energia gasta no total acaba sendo significativa”. Uma dica para aparelhos relacionados, por exemplo TV, DVD, modem de TV a cabo ou satélite – é liga-los todos a uma só régua de tomadas. Basta desligar a régua ao fim do dia para economizar.

10.    Quando chamar o elevador, faz diferença chamar apenas um deles ou quantos tiver no andar? Elevadores, afinal, gastam muita energia?

Os especialistas garantem que faz diferença no consumo de energia chamar mais de um elevador ao mesmo tempo, e que esse gasto, por estar diluído nas contas de condomínio, passa despercebido.

Uma boa prática é deixar só um elevador ligado durante a noite ou ter equipamentos que fazem com que só um elevador se desloque a cada chamada. Por seu lado, o usuário deve sempre evitar chamar vários elevadores ao mesmo tempo. Outra boa alternativa é usar as escadas sempre que possível, pois além de poupar energia elétrica, diminui-se o sedentarismo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

CO2, principal vilão do efeito estufa


Conteúdos específicos
Efeito estufa, redução do dióxido de carbono na atmosfera

Ano
8º e 9º anos
Objetivo
Perceber o alcance das diferentes propostas para conter o aquecimento global

Tempo estimado
Três aulas

Introdução
Demorou mas aconteceu: as questões ambientais chegaram à mídia. Em meio à enxurrada de materiais sobre o tema, as opiniões de Frank Rowland, "o guardião da atmosfera", aparecem como um sopro de ar fresco. Com a autoridade de quem recebeu um Prêmio Nobel de Química por suas pesquisas sobre os danos causados à camada de ozônio pela humanidade, ele não hesita em apresentar claramente sua opinião sobre uma série de temas considerados polêmicos. Rowland afirma, por exemplo, que somos responsáveis pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2.) o fator mais importante na mudança do clima, associado à queima de gás, carvão e petróleo; o que nos resta fazer é reduzir as emissões desse gás, superando as resistências e as manobras protelatórias de governos como o dos Estados Unidos e das corporações que lidam com combustíveis fósseis.

É interessante comparar essas declarações inequívocas com as chamadas megassoluções para o problema. São sete projetos de alcance planetário, que foram apresentadas na edição 1989 de VEJA. O prazo para que entrem em funcionamento pode chegar a 50 anos, enquanto o custo varia de 1 bilhão a 5,5 trilhões de dólares. Mas todos eles pressupõem a intocabilidade dos alicerces da economia de massa (produção, consumo, desperdício, obsolescência planejada, controle e retenção de tecnologia etc.).

Qual desses modelos é mais viável? O de Rowland, que define a emissão de CO2 como inimigo principal e admite implicitamente a necessidade de mudanças em nosso estilo de vida para enfrentá-lo, ou aqueles que se propõem a gastar quantias colossais para manter os atuais padrões de consumo? A comparação vai tornar mais nítidos para seus alunos os laços entre os problemas políticos, socioeconômicos e ecológicos e os complexos meandros que regem a ordem mundial.

Desenvolvimento

1ª aula
Examine com a turma as megassoluções para reduzir as emissões de CO2.

Trocar o carvão pelo átomo

Essa idéia significa substituir a emissão de dióxido de carbono pela produção de resíduo atômico. Deixa como legado às gerações futuras o desafio tecnológico de dar destino ao lixo nuclear. Na prática, fará com que os países pobres se tornem depósitos mundiais de descarte radioativo em troca de migalhas dos ricos. Enfatize que a tecnologia nuclear hoje é relativamente simples, porém perigosa. A proliferação de seu domínio, apesar de democratizar o poder político no mundo, carrega a ameaça de uso para finalidades bélicas em conflitos periféricos. Os subprodutos do processo de geração de energia termelétrica nuclear, como o urânio 238 e o plutônio, servem para fabricação de armas, tanto de longo alcance e amplo espectro, capazes de destruir cidades inteiras, como de curto alcance e ação restrita.

E o que é mais assustador: podem ser facilmente construídas em fundo de quintal, transportadas e usadas por uma pessoa. Não há estrutura eficaz para controlar e fiscalizar nem mesmo as usinas existentes, quanto mais as eventualmente vindouras. Peça que os jovens imaginem a situação de países pobres dominando a tecnologia nuclear sem que sequer tenham resolvido como tratar e fornecer água potável a todos os seus cidadãos. E quanto ao transporte e armazenamento em grande escala de resíduos nucleares? Para evitar o pesadelo de um vazamento nessas etapas, seria necessário desenvolver tecnologias de controle e contenção muito mais eficazes do que aquelas disponíveis atualmente.

Enterrar os gases tóxicos

Brinque com a moçada, dizendo que essa estratégia lembra um pouco Jason, personagem da série de terror Sexta-Feira 13, capaz de ressurgir a qualquer momento num lago. Mas esse não é o medo maior que se deve ter. Realce que a proposta é levar o dióxido de carbono para o lugar antes ocupado por petróleo e gás natural. Considerações quanto ao custo energético para filtrar, comprimir, transportar e bombear o CO2 às profundezas constituem pesadelos mais verossímeis. Supondo que seja viável filtrar em larga escala o gás, por que não separar o carbono do oxigênio (vendido nos hospitais a preço de ouro) e usar um e outro em aplicações industriais? Ficção por ficção, vale a pena investir um pouquinho mais em audácia. Essa idéia leva em conta a reação inversa da oxidação do carbono e pode ser examinada com os professores de Química e Biologia. Afinal, as plantas verdes e a energia solar fazem esse trabalho de graça.

Multiplicar o fitoplâncton

Esta é uma proposta de trocar a catástrofe global descontrolada por um pretenso desequilíbrio ecológico controlado: adicionar ferro aos oceanos para estimular a multiplicação do fitoplâncton. Esses microorganismos são a base da cadeia alimentar marinha e respondem pela produção de boa parte do oxigênio atmosférico. Assim como as plantas, o fictoplâncton realiza a fotossíntese, usando a luz solar, o CO2 e a água para sobreviver. Quando morre, afunda até o solo oceânico e ali permanece por séculos, com parte do gás que captou. Mas não há garantia de que, no futuro, o dióxido de carbono retido no solo marinho não seria liberado de volta à atmosfera. Também não se conhece o impacto que a adição de ferro aos oceanos teria a longo prazo. Na verdade, as conseqüências da reprodução excessiva do fitoplâncton são quase imprevisíveis, e a parte que não é quase é o extremamente danoso fenômeno do florescimento (o chamado bloom), que ocorre quando a água se torna esverdeada pelo excesso de algas e, depois, acastanhada. Nessas condições, todos os nutrientes se esgotam e o plâncton (fito e zôo) morre. Como resultado, o oxigênio da água acaba e grandes quantidades de peixes e outros animais aquáticos sucumbem.

2ª aula
Pergunte quais são os maiores emissores de gás carbônico do planeta. Provavelmente serão mencionados os veículos, as indústrias etc. A resposta está correta, mas um exame mais profundo pode trazer revelações surpreendentes. Informe que um levantamento dos vilões do aquecimento no ano 2000 mostrou que as indústrias e os transportes, concentrados nos países mais desenvolvidos, contribuíram respectivamente com 13,8% e 13,5% das emissões de CO2. Já o desmatamento, que ocorre basicamente nos países em desenvolvimento como o Brasil, respondeu por nada menos que 18,2% do total.
Explique que o gás carbônico sempre esteve presente na atmosfera. Em boa medida, é graças a ele que o planeta não congelou: o efeito estufa natural é essencial para a existência.

Os animais contribuem para o aumento da concentração de CO2, pois a respiração tem como produto o dióxido de carbono. O problema é o crescimento vertiginoso nas emissões desde a industrialização. Apresente o gráfico deste plano de aula, que registra o aumento da concentração de gás carbônico nos últimos 1000 anos. Destaque a observação de Rowland de que a concentração de dióxido de carbono vem crescendo mais rapidamente do que na década de 1960. Isso reforça a necessidade de adotar medidas urgentes para enfrentar o problema. E o CO2 não é o único vilão: somam-se a ele, entre outros gases, o óxido de nitrogênio (NO), vindo das combustões em altas temperaturas e dos fertilizantes, e o metano (CH4), associado a queimadas, aterros sanitários e pecuária.

A reflexão sobre esses pontos vai evidenciar que todos os países, e não apenas os mais industrializados e de maior número de automóveis, têm sua parcela de responsabilidade no aumento da temperatura do planeta.

Evolução da emissão de CO2


3ª aula Depois do diagnóstico da aula anterior, analise com a classe as alternativas para enfrentar o problema. É uma boa oportunidade para conversar sobre o estilo de vida na sociedade atual. Ressalte que os sete colossais projetos pouco interferem no nosso conforto. Já as propostas de Rowland pressupõem algumas mudanças nos padrões de produção e consumo da sociedade em que vivemos. Recorde que isso já ocorreu depois de suas investigações sobre a camada de ozônio: o fim das emissões do gás clorofluorcarbono (CFC), usado em refrigeradores e sprays para os cabelos e causador dos danos, foi determinado por tratado internacional em 1987.

Conte que segmentos da sociedade e grupos de países também sugeriram medidas para combater o aquecimento global. A Europa sinalizou, recentemente, sua intenção de aumentar para 20% a taxa de redução de emissão de gases de efeito estufa. Mas exige que outros Estados (se não todos) façam o mesmo. Claro: economizar na emissão de CO2 significa crescer menos. Qual seria a provável reação dos Estados Unidos, campeões mundiais de consumo e de poluição, a esse convite? E de países como a China e a Índia, que hoje crescem a todo vapor e sonham com padrões de consumo em níveis ocidentais? Na verdade, uma pauta ambiental que implique menor desenvolvimento econômico ou redução do nível de vida é difícil de concretizar.

Já as sugestões setoriais podem ser mais viáveis. Uma pesquisa realizada por um grande fabricante de pneus indicou que, se todos os carros da França estivessem com os pneus calibrados corretamente, seriam economizados cerca de 500 milhões de litros de combustível por ano (aproximadamente 2% do total consumido naquele país). A empresa decidiu investir em ações de conscientização e na produção de pneus mais resistentes à pressão, que se mantenham calibrados por mais tempo.

Lembre que também se costuma pensar a preservação do ambiente sob um aspecto cotidiano, pontual. Seria algo parecido com o trabalho de formigas ou abelhas operárias: acreditava-se (e essa idéia não pode ser descartada jamais!) que pequenas ações locais seriam a resposta para os problemas globais.

Encaminhe um debate sobre o alcance dessas propostas. É importante perceber que os megaprojetos e a mobilização geral contra as emissões de CO2 defendida por Frank Rowland talvez sejam inevitáveis e não se excluem necessariamente. Já as iniciativas setoriais, embora limitadas, sem dúvida representam um passo adiante, enquanto o trabalho cotidiano das abelhas operárias gera frutos imediatos, porém numa escala incomparavelmente menor.

Com essa discussão, os estudantes vão verificar que não existe fórmula mágica para resolver um megaproblema como esse. Muito provavelmente, a chave de nosso futuro estará no entrelaçamento dessas diferentes formas de enfrentar o desafio ambiental. Daí a importância e a urgência de repensar hábitos de consumo, desde o supérfluo até o descarte. Qualquer atitude apta a colaborar para a recuperação do planeta, seja ela mega ou mini, deve ser levada em conta e analisada pela sociedade. E, para exercer nossa cidadania e nosso poder de decisão, precisamos estar esclarecidos sobre elas
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Os efeitos do aquecimento global

Plano de Aula Ensino Fundamental II

Conteúdo específico
Efeitos do aquecimento planetário

Objetivo
Identificar eventuais conseqüências do processo de aquecimento global
Ano
8º e 9º anos

Tempo estimado
Duas aulas de 50 minutos

Introdução
Parreiras em vez de geleiras? Vinhedos na Groenlândia e na Antártica? Ainda não chegamos a tanto, mas, em termos de latitude, não falta muito. A reportagem informa que os produtores de alguns dos melhores vinhos do mundo estão migrando para locais de clima frio, como a Noruega e o sul do Chile. Fenômenos assim provavelmente estarão, num futuro próximo, no centro dos debates sobre o aquecimento global. Examine com os jovens os eventuais desdobramentos desse novo desafio para a espécie humana que já sobreviveu às glaciações.

Desenvolvimento
1ª aula
Antes da leitura da revista, verifique o que os estudantes entendem por aquecimento global e seus efeitos. Registre as respostas. O trabalho subseqüente confirmará uns aspectos da lista e desmentirá outros. No final, ela será refeita e, provavelmente, enriquecida.

Depois que todos lerem o texto, conte que a hipótese do aquecimento planetário é hoje admitida pela ampla maioria da comunidade científica. É essa a constatação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática denominado Mudança Climática 2007: a Base da Ciência Física , divulgado em fevereiro deste ano. Mas as polêmicas prosseguem, focalizando agora as conseqüências do processo. Uma, apontada por VEJA, é a produção de vinho em regiões antes improváveis; outra, defendida por pesquisadores russos, é a transformação das extensões geladas da Sibéria em áreas agrícolas. Também existe quem fale em desertificação da Amazônia e quem imagine, ao contrário, a expansão da floresta.

Como acompanhar essa discussão? Há referências que sirvam de base para a visualização do que pode ocorrer por causa do aquecimento global? Proponha que seus alunos debatam essas questões, apoiando-se nas sugestões a seguir.

Lembre que a ciência aumenta a capacidade de previsão sobre eventos possíveis e permite ampliar o controle sobre os fenômenos da natureza. Isso se aplica ao aquecimento global. Alguns de seus efeitos já são notáveis. E muitos podem ser previstos. Um dos métodos usados para entender os fenômenos e antever seus desdobramentos é a construção de modelos. Explicando melhor: se por acaso a Terra já experimentou mudanças climáticas em larga escala provocadas pelo aquecimento e/ou resfriamento da atmosfera, é bom saber quais foram as conseqüências, pois elas servirão de referência para uma projeção sobre o que talvez aconteça agora e num futuro próximo. E a humanidade tem à disposição esse modelo valioso: a glaciação.

Pergunte quem assistiu aos longas-metragens A Era do Gelo e A Era do Gelo II. Trata-se de animações com um bom fundamento científico que focalizam, respectivamente, a glaciação e seu período final. Proponha pesquisas sobre esse fenômeno que já se deu diversas vezes, sempre associado a alterações do posicionamento da Terra em relação ao Sol (movimentos que interferem na translação, por exemplo, e que modificam a quantidade de energia que o planeta recebe).

Conte que a última glaciação, apresentada nos desenhos, deu-se há 74000 anos e atingiu o auge 20000 anos atrás. Ocorreram grandes transformações climáticas em seu período ascendente (resfriamento) e durante seu declínio (aquecimento global). Ensine que, no território que hoje é o Brasil, houve na fase do resfriamento uma perda significativa de água disponível na região dos trópicos, a aridez se impôs, a Floresta Amazônica recuou e o cerrado (vegetação de clima mais seco) avançou até o atual estado de São Paulo. Quando veio o aquecimento, aumentou a disponibilidade de água na região tropical, as florestas se expandiram e o cerrado diminuiu de extensão. Há como comprovar: onde hoje predomina a Mata Atlântica de interior, acham-se manchas de cerrado do período glacial. Quer dizer, com o aumento das temperaturas, voltaram a tropicalidade, os climas úmidos etc. Não é estranho que hoje, quando se fala em aquecimento, muitos debatam a desertificação da Amazônia?

Acrescente que o geógrafo brasileiro Aziz Ab Saber investiu contra essa idéia. Baseado na lógica da glaciação, ele acha que a floresta tropical vai descer para as latitudes mais altas não o contrário. Ab Saber sustenta que, com o aquecimento global, vai se alterar a lógica das correntes marinhas, que são elementos importantes da constituição dos fenômenos climáticos. As correntes de águas mais frias, que hoje alcançam o litoral da Bahia, vão descer para o sul. A orla brasileira será circundada por correntes quentes, o que fará crescer o volume de chuvas no interior do continente. É que as massas de ar oceânicas que se dirigem à terra firme carregadas de umidade graças à evaporação da água do mar não vão mais perder essa umidade antes de chegar ao continente. Atualmente, ao passar sobre correntes frias, a umidade se condensa e se precipita de volta sobre o oceano na forma de chuva. Se, no futuro, essas massas de ar não passarem sobre correntes frias, deixarão de se condensar sobre o oceano e terminarão por provocar mais chuvas no continente. Com esse aumento da umidade, as florestas vão se dar muito bem.

Como a turma avalia esse raciocínio? Diga que a temporada das polêmicas já começou. Cientistas e governos têm a dificuldade costumeira para se entender, mas estão discutindo essas questões. Leve o debate para a sala de aula.
2ª aula Sugira pesquisas e discussões sobre as teses da desertificação da Floresta Amazônica, a produção de vinho em zonas onde antes tal prática era impossível, a transformação da Sibéria em fronteira agrícola, o desaparecimento acelerado das geleiras da Groenlândia e outros fenômenos associados ao aquecimento global.
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terça-feira, 5 de julho de 2011

Biomas brasileiros: Parte 5 - Caatinga

Objetivos
Identificar e compreender a distribuição e a configuração natural da caatinga.
Relacionar coberturas vegetais, fauna, clima, relevo, solos e recursos hídricos no bioma.
 Correlacionar distribuição e biodiversidade.
Identificar e avaliar processos de ocupação e perda de coberturas vegetais originais.
 Reconhecer e avaliar unidades e políticas de conservação e usos sustentáveis do bioma, assim como programas para contenção de sua devastação.
Desenvolver pesquisa, coleta, seleção e organização de dados, textos e imagens.
 Ler e interpretar mapas em diferentes escalas.

Conteúdos
Bioma Caatinga: caracterização, distribuição, configuração natural, usos, riscos e ameaças; Caracterização do Sertão nordestino; Biodiversidade; Bacias hidrográficas e recursos hídricos; Unidades de conservação.

Anos
6º ao 9º ano

Tempo estimado
Quatro aulas

Introdução
Esta é a quinta sequência didática de uma série de oito propostas sobre os biomas brasileiros para Ensino Fundamental II. A primeira delas teve como objetivo fazer com os alunos um
mapeamento dos biomas brasileiros, acompanhado de discussões sobre as classificações das unidades naturais presentes no território brasileiro. A segunda trouxe o detalhamento do bioma Amazônia, a terceira destacou as matas atlânticas brasileiras e a quarta sequência abordou a situação atual dos cerrados.
Este plano tem como objetivos discutir a configuração natural da caatinga, sua composição e diversidade de espécies e sua relação com as condições climáticas. Bioma exclusivamente brasileiro, ela abrange frações de todos os estados do Nordeste, além do norte de MG, numa área de 826,4 mil km² - cerca de 11% do território nacional, maior que Espanha e Portugal somados. Dados recentes, publicados em 2010 pelo Ministério do Meio Ambiente, indicam um aumento da devastação do bioma, que tem baixos percentuais de áreas protegidas.

Texto de apoio ao professor - Caatinga

As tradicionais imagens da caatinga e do semiárido nordestino, com solos secos e rachados e plantas de pequeno porte, muitas vezes deixam de revelar a extrema complexidade e diversidade do bioma. Suas paisagens refletem um clima de forte insolação, temperaturas elevadas na maior parte do ano, solos pedregosos, chuvas escassas e irregulares, com secas periódicas. Parte dos rios é intermitente e sazonal; as exceções são os caudalosos Parnaíba e São Francisco.

Como salienta o professor Aziz Ab’Saber, cerca de 85% do espaço total do Nordeste seco se estende por depressões interplanálticas, situadas entre antigos maciços cristalinos e chapadas eventuais, sob a forma de incontáveis colinas sertanejas. Essas colinas são sulcadas por rios e riachos intermitentes, em climas quentes e relativamente secos. Mas a diversidade de solos e a presença de serras e brejos denotam também a presença de áreas mais úmidas. O inverno seco dura de cinco a oito meses, com maior precipitação no verão, mas irregulares no tempo e no espaço.

Na região, massas de ar descendentes, mais secas e orientadas para a superfície, impedem a ascensão de ar indispensável à formação de nuvens e ocorrência de chuvas. Completa esse quadro natural a cobertura com vegetação arbustivo-arbórea e, mais raramente, arbórea. De origem tupi-guarani, caatinga significa mata branca. São pelo menos 12 tipos de coberturas, desde matas secas (caatinga arbórea) até caatingas abertas, capoeiras e extensões de arbustos baixos. As folhas miúdas, as cascas grossas e as hastes espinhentas são adaptadas à evapotranspiração intensa, tendo algumas plantas sistemas para armazenamento de água, como o mandacaru, xique-xique, barriguda e umbuzeiro. São pelo menos 930 espécies de plantas, sendo 380 endêmicas. Na região existem pelo menos 510 espécies de aves, das quais 470 se reproduzem localmente - dependem da vegetação para sobreviver. Há também ali grande variedade de cobras e lagartos.

Estudo recente lançado pelo Ministério do Meio Ambiente indica que o total de caatinga devastada saltou de 43,3% em 2002 para 45,3% em 2008 – crescimento de área equivalente à do município de São Paulo. Entre as principais causas apontadas para esse avanço estão o uso da cobertura para lenha e carvão e o avanço de frentes agrícolas e de pecuária. Como se sabe, há novas frentes de expansão da moderna cultura de grãos pelo oeste da Bahia e sul do Maranhão e Piauí. Entre os municípios que registraram maior perda de caatinga estão Acopiara e Tauá (CE), Bom Jesus da Lapa e Campo Formoso (BA) e Serra Talhada (PE). O avanço preocupa porque apenas 7% da cobertura está protegida por unidades de conservação federais ou estaduais, com os habituais problemas de controle e fiscalização. Desse total, apenas 1% é de unidades de proteção integral.

Com isso, podem estar em risco espécies de flora e fauna e a rica “farmácia a céu aberto” representada por diferentes plantas de uso medicinal, como a catingueira, o jerico e o angico.
Diversos estudos e programas indicam, pelo menos, 80 áreas prioritárias para conservação da caatinga e definição de políticas articuladas entre União, estados e municípios de combate à devastação do bioma. Uma unidade de conservação a ser destacada é o Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado patrimônio cultural pela Unesco em 1991, em função de seus mais de 500 sítios de pinturas rupestres, e abrigo de espécies ameaçadas como jaguatirica e tamanduá-bandeira.
Mesmo diante das dificuldades do homem sertanejo – quase 1 milhão de famílias vivem em situação de penúria, num quadro de grande concentração fundiária - o Nordeste seco é o semi-árido mais povoado do planeta.

Desenvolvimento
1ª e 2ª aulas
Peça que os alunos se dividam em pequenos grupos e pesquisem informações sobre configuração natural do bioma caatinga (distribuição das coberturas vegetais, aspectos climáticos, formas de relevo, bolsões de umidade, rede de drenagem) e processos de constituição dos espaços no Nordeste seco. É fundamental que recolham fotos e mapas sobre a região em questão. Solicite que organizem os dados e examinem o mapa a seguir, com a escala de devastação do bioma nos últimos anos. Com base no mapa, peça que identifiquem as áreas mais afetadas pela retirada das coberturas vegetais originais.

Mapa - Distribuição do desmatamento da caatinga - 2008
Mapa - Distribuição do desmatamento da caatinga. Fonte: Ibama. Ministério do Meio Ambiente.
Mapa - Distribuição do desmatamento da caatinga. Fonte: Ibama. Ministério do Meio Ambiente.
Em verde, a cobertura vegetal original; em bege, o desmatamento ocorrido antes de 2002; e em marrom, os novos pontos de desmate (entre 2002 e 2008).

3ª e 4ª aulas
O avanço da devastação da caatinga coloca os holofotes sobre as políticas de conservação na região. Proponha que os estudantes recolham dados sobre as unidades de conservação – entre elas, o Parque Nacional da Serra da Capivara e da Chapada do Araripe e o Raso da Catarina – identificando espécies e ambientes protegidos. Do mesmo modo, o potencial da vegetação em termos de fármacos e produção de medicamentos e o desenvolvimento de novas tecnologias para atenuar os rigores do clima, como os sistemas de cisternas em comunidades rurais para armazenamento de água. Um histórico do combate às secas na região – que muitas vezes beneficiou somente as elites agrárias – é fundamental para contextualizar o quadro político e econômico-social regional.

Os dados recolhidos devem compor relatórios de pesquisa sobre o bioma. Oriente a turma para incluir informações sobre a situação atual e as perspectivas futuras a caatinga e o homem sertanejo. Os trabalhos serão utilizados nas últimas aulas desta série, em que será feito um balanço dos desafios para a conservação dos biomas brasileiros.

Avaliação
Avalie a participação de cada estudante nos momentos individuais e coletivos. Verifique também o domínio de conceitos, processos e habilidades em jogo sobre a caatinga. Examine organização dos relatórios. Se necessário, crie uma ficha de registros de atividades para facilitar a avaliação. Reserve tempo para a turma avaliar a experiência.

domingo, 3 de julho de 2011

Biomas brasileiros: Parte 3 - Mata Atlântica

Objetivos
Identificar e compreender a configuração natural da Mata Atlântica e ecossistemas associados.
 Relacionar coberturas vegetais, fauna, clima, relevo, solos e recursos hídricos no bioma.
Correlacionar distribuição e biodiversidade do bioma.
 Identificar e avaliar processos de expansão agrícola, industrialização, urbanização e construção de sistemas viários e seus efeitos no bioma.
Reconhecer e analisar unidades e políticas de conservação e usos sustentáveis do bioma.
 Desenvolver pesquisa, coleta, seleção e organização de dados, textos e imagens.
 Ler e interpretar mapas em diferentes escalas.
Conteúdos
Bioma Mata Atlântica: caracterização, configuração natural, usos, riscos e ameaças; Biodiversidade; Diversidade cultural; Produção econômica e produção do espaço; Fragmentos florestais; Unidades de conservação.
Anos
6º ao 9º

Tempo estimado
Cinco aulas

Introdução

Esta sequência didática é a terceira de uma série de oito propostas sobre os biomas brasileiros para Ensino Fundamental II. A primeira delas teve como objetivo fazer com os alunos um
mapeamento dos biomas brasileiros, acompanhado de discussões sobre as classificações das unidades naturais presentes no território brasileiro. A segunda trouxe o detalhamento do bioma Amazônia. (Confira as demais sequências da série ao lado).

Nesta terceira sequência, o objetivo é discutir a Mata Atlântica, destacando a configuração natural do bioma, a evolução histórica de usos e formas e ocupação e o desafio atual da preservação dessa rica formação florestal. Convide a turma para essa empreitada.
Texto de apoio ao professor - Matas Atlânticas

Imensa fachada florestal que surpreendeu os portugueses em sua chegada, as Matas Atlânticas guardavam segredos que aos poucos foram sendo revelados. Recobrindo originalmente de 12% a 15% do que veio a ser o território brasileiro, elas se distribuíam pela faixa litorânea do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, avançando para áreas interiores e alcançando frações dos atuais Paraguai e Argentina, em uma área de aproximadamente 1,1 milhão de quilômetros quadrados.

Mas por que "Matas Atlânticas", no plural? Muito heterogênea e diversificada, com distribuição azonal – uma variação climática latitudinal - e em vários níveis de altitude, trata-se de uma das formações de maior biodiversidade do planeta. O conjunto abriga matas de encosta e de altitude e formações costeiras associadas a diferentes ecossistemas – manguezais, restingas, vegetação de ilhas litorâneas -, além de enclaves de cerrados, campos e campos de altitude. Tomando como referência a proposição dos geógrafos Sueli A. Furlan, da Universidade de São Paulo, e João C. Nucci, da Universidade Federal do Paraná, a denominação inclui todas as formações florestais que compõem esse domínio natural e os ecossistemas associados.

Do extraordinário conjunto natural, formado sob a influência dos ventos úmidos oceânicos, resta hoje somente 7% da cobertura original. Na região vive cerca de 62% da população brasileira, o equivalente a 110 milhões de pessoas, e está a maior concentração de atividades do país – cidades, estradas, portos, agropecuária, extrativismo etc. A área é palco de desmatamento ilegal e intensa especulação imobiliária, ao mesmo tempo em que abriga populações que lutam para manter seus modos de vida tradicionais, como caiçaras, indígenas e descendentes de quilombolas.

Entre os grandes desafios das Matas Atlânticas nos dias de hoje destacam-se a manutenção dessas populações remanescentes, a instituição de usos com a “floresta em pé” e a compreensão da dinâmica dos diversos fragmentos florestais.
 
 Desenvolvimento

1ª e 2ª aulas
Proponha à turma a leitura e a interpretação dos mapas 1 e 2, apresentados abaixo, e a comparação entre eles. As figuras mostram, respectivamente, a distribuição original das Matas Atlânticas e as áreas remanescentes.

Explique aos alunos que a classificação utilizada indica formações florestais ombrófilas – em que não falta umidade durante o ano – e estacionais – com maior umidade em parte do ano. São descritas, também, vegetações densas ou abertas – árvores de grande e médio porte com graus variados de densidade nos diversos estratos. E aparecem, ainda, as divisões da região em áreas deciduais – em que 50% das árvores que perdem as folhas em parte do ano – ou semideciduais – com perda periódica de folhas em 20% a 50% das árvores.

Mapa 1 – Matas Atlânticas: cobertura vegetal original. Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.
Mapa 1 – Matas Atlânticas: cobertura vegetal original. Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.

Mapa 2 – Matas Atlânticas: remanescentes florestais (2005). Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.
Mapa 2 – Matas Atlânticas: remanescentes florestais (2005). Fonte: INPE. SOS Mata Atlântica, 2006.

 Ao observar os mapas, os estudantes vão notar que os principais remanescentes das Matas Atlânticas estão situados em faixas no sul da Bahia e em uma larga faixa ao longo do litoral, do Rio de Janeiro a Santa Catarina, com destaque para as formações no Vale do Ribeira (SP) e norte do Paraná. Comente que a manutenção ocorre, paradoxalmente, próxima à maior metrópole brasileira.

Peça que os alunos registrem as observações e solicite que façam em casa uma pesquisa sobre as características de clima, flora e fauna das Matas Atlânticas (para saber mais, leia a reportagem
Era uma vez a mata Atlântica, disponível no Planeta Sustentável).

3ª aula
Confira os dados levantados pelos alunos em casa, complemente e discuta o tema em sala de aula. É importante que os elementos naturais e as interações entre as formas de vida e o meio físico estejam corretamente assinalados. Para isso, utilize como referência o quadro a seguir.
Matas Atlânticas

Florestas costeiras – envolve mais de um tipo de mata em montanhas, serras e nas planícies litorâneas. Nas praias, encontra-se a vegetação adaptada à salinidade, insolação, solo arenoso e déficit hídrico. São plantas pioneiras e rasteiras. Fora do alcance do mar, estão matas de jundu, com espécies arbóreas, bromélias e o gravatá. Após o jundu, surge a mata de restinga, em solos relativamente pobres e arenosos, com árvores e substrato arbustivo; aparecem palmeiras, lianas, bromélias e samambaiaçus. Associados a estas formações estão os manguezais, sob influência da água do mar e da água doce dos rios, e costões rochosos.

Matas de encosta – condicionadas ao clima e à alta pluviosidade durante todo o ano, marcada pelos ventos úmidos de sudeste. No Sul e Sudeste, recobrem as serras do Mar, Mantiqueira, Paranapiacaba e Geral. A umidade constante e as altas temperaturas garantem florestas densas com árvores de 20 a 30 metros, em dois ou mais estratos. Podem ser encontradas até espécies mais altas, de até 40 metros, como o jequitibá-branco. Há muitas epífitas e trepadeiras sobre as árvores. O sub-bosque é escuro, úmido e com pouca ventilação. Em face de declividades acentuadas em montanhas, os solos são rasos e sujeitos a deslizamentos. Aí estão o pau-brasil, a paineira e as palmeiras. Em áreas alteradas surgem as embaúbas.

Matas de altitude e interiores – em topos de morros e montanhas há pequenas alterações na vegetação. Nessas matas surgem as florestas de neblina, face às temperaturas mais baixas – como é o caso de Paranapiacaba, em São Paulo. As condições de insolação, temperatura e umidade variam de acordo com a posição do conjunto natural e exposição dele ao sol. O porte das árvores é menor, com caules mais tortuosos e ocupados por musgos, liquens e orquídeas. Sob ventos mais frios e secos, surgem os campos de altitude ou rupestres, com diversidade de espécies endêmicas (herbáceas e arbustos pequenos). As florestas interiores, em grande parte, cederam lugar aos cultivos agrícolas e urbanização. Restam poucos remanescentes, situados a oeste das serras e montanhas costeiras. Sob clima mais marcadamente tropical e variadas condições de solo – terra roxa, mais fértil, e arenosos, muito pobres – surgem as perobas-rosas, imbuias e jatobás, além de palmeiras como o jerivá, e de matas de pinhais, situadas mais ao sul do país.

Fauna – a diversidade de fauna está associada à diversidade de ambientes. Na presença de água, encontram-se os jacarés, sapos, cágados e algumas cobras e aves. Rãs e saracuras preferem os brejos, e outros vivem tanto na água como na terra, como antas, ratões do banhado, capivaras e ariranhas. No chão das florestas podem ser encontrados lagartos, cobras, jabutis, quatis e catetos. As Matas Atlânticas possuem a mais rica composição de mamíferos de toda a América do Sul e talvez do planeta: gambás, cuícas, morcego, cachorro do mato e felinos como a onça-parda e a jaguatirica e primatas de variados gêneros (mico-leão preto e dourado, bugio, muriqui etc). Há, também, grande variedade de répteis e aves. Muitas dessas espécies correm forte risco, causados principalmente pela destruição de seu habitat natural. O mesmo ocorre com os peixes, colocados em perigo devido ao assoreamento, represamento ou contaminação de rios.

Fonte: FURLAN, Sueli A.; NUCCI, João C. A conservação das florestas tropicais. São Paulo: Atual, 1999, p. 32-38
(com adaptações).
 
Faça alguns destaques para a turma. Pergunte a eles por que é importante preservar esses conjuntos naturais? Ouça as repostas e comente que, além da manutenção da biodiversidade e das formas de vida ali existentes, é preciso lembrar que as florestas tropicais – como é o caso das Matas Atlânticas –, oferecem os chamados serviços ambientais, elementos úteis à vida dos seres humanos: armazenamento de carbono, regulação climática, controle de deslizamentos, inundações, erosão e assoreamento e uma formidável produção de água.

Apesar dessas qualidades, mostre à classe que os usos e a ocupação predatórios das Matas Atlânticas vêm de longa data. O historiador norteamericano Warren Dean (1932-1994), por exemplo, conta que, no Rio de Janeiro do século 19, em torno de quinhentos carroções de madeiras nobres eram descarregados na cidade para serem usados como lenha ou em edificações.

Peça que os alunos relembrem outros exemplos de destruição das Matas Atlânticas. Discuta as respostas da moçada e dê o exemplo de Cubatão, em São Paulo. Atingida pelos gases tóxicos do pólo petroquímico, a região já foi considerada o lugar mais poluído do planeta. Explique à classe que, atualmente, podem ser encontradas experiências positivas de preservação ambiental próximas a Cubatão. Um exemplo é a vila de Paranapiacaba, na Serra do Mar. A área é o berço do rio Grande – principal formador da represa Billings, que abastece toda a região da Grande São Paulo – e tornou-se pólo de preservação ambiental em 2001, passando a ser mantida pelo Parque Municipal Nascentes de Paranapiacaba. (Para saber mais, veja a reportagem
O que tem sido feito pela floresta, disponível no Planeta Sustentável). Opções de cultivos agroflorestais, manejo de florestas e serviços de turismo e Educação Ambiental também estão sendo testadas em diversos pontos da região.

Peça que os estudantes pesquisem outras unidades de conservação, de preservação integral e de uso sustentável no país. (Veja algumas fontes de pesquisa ao final deste plano).

4ª aula
Peça aos alunos que organizem os dados sobre as Matas Atlânticas obtidos nas aulas anteriores e pesquisados em casa. Divida a turma em pequenos grupos e proponha que elaborem painéis em cartolina, papel kraft ou, se possível, em meio eletrônico, com textos e imagens (mapas, fotos, ilustrações) tratando os seguintes temas:

- Configuração natural do bioma
- Evolução histórica de usos e formas e ocupação
- Desafios da preservação
- Propostas para o uso sustentável das Matas Atlânticas

Peça que os grupos preparem um pequeno roteiro escrito para apresentar suas ideias à classe na aula seguinte.

5ª aula
Reserve a última aula para a apresentação dos grupos. Terminadas as exposições, discuta os resultados finais e elabore com a turma um quadro-síntese sobre o tema. Considere a possibilidade de expor os resultados na escola.

Avaliação
De acordo com os objetivos e conteúdos previstos, avalie o domínio de noções, conceitos e processos que são chave para o entendimento da realidade estudada. Leve em conta a participação de cada um nos momentos individuais e coletivos e examine a correção de dados, mapas e textos e outros elementos no painel. Não se esqueça de examinar a organização e clareza dos textos e da exposição oral e verificar as contribuições de cada estudante nas tarefas individuais e coletivas. Reserve um tempo para que a turma avalie a experiência e examine novos desdobramentos para o trabalho.

sábado, 2 de julho de 2011

Biomas brasileiros: Parte 2 - Amazônia

Objetivos
Identificar e compreender a configuração natural do bioma Amazônia.
Relacionar coberturas vegetais, fauna, clima, relevo, solos e recursos hídricos no bioma.
Analisar processos de ocupação na região, considerando energia e transportes, extrativismo vegetal e mineral, agropecuária e urbanização.
Reconhecer e analisar a organização social de populações tradicionais da Amazônia. Identificar unidades de conservação e usos sustentáveis da biodiversidade do bioma Amazônia.
 Desenvolver pesquisa, coleta, seleção e organização de dados, textos e imagens.
 Ler e interpretar mapas em diferentes escalas.

Conteúdos
Bioma Amazônia: caracterização, configuração natural, usos, riscos e ameaças; Biodiversidade; Diversidade cultural; Populações tradicionais; Produção econômica; Produção do espaço; Unidades de conservação; Cartografia

Anos
6º ao 9º ano

Tempo estimado
Cinco aulas

Introdução
Esta sequência didática é a segunda de uma série de oito propostas sobre os biomas brasileiros para Ensino Fundamental II. A primeira delas teve como objetivo fazer com os alunos um
mapeamento dos biomas brasileiros, acompanhado de discussões sobre as classificações das unidades naturais presentes no território brasileiro. (Confira as demais sequências da série ao lado).

Desta vez, o tema central é a Amazônia, bioma que se tornou símbolo mundial da biodiversidade e que abriga a maior floresta tropical e a maior bacia hidrográfica do planeta, com 68% da vazão nacional. À diversidade natural, hoje ameaçada, se associa uma extraordinária diversidade cultural, composta por povos indígenas, ribeirinhos, comunidades quilombolas, posseiros e seringueiros.

Praticamente tudo que se refere à região é superlativo. O bioma Amazônia possui cerca de 8 milhões de quilômetros quadrados, distribuindo-se por nove países da América do Sul. No Brasil, atinge 4,1 milhões de quilômetros quadrados, pouco menos que a metade do território nacional. Uma extensa cobertura vegetal, à primeira vista homogênea, revela em seu interior matas de terra firme, encostas, igapós e várzeas, além de cerrados e campinas. Relativamente isolada ao longo do tempo, a região tem hoje ritmo acelerado de crescimento e expansão de fronteiras econômicas, gerando diversos focos de tensões sociais e impactos ambientais.

O tema é um convite aos estudantes para saber mais sobre a riqueza e complexidade das realidades da Amazônia, por meio de pesquisas, leitura de textos e mapas, painéis e debates.

Desenvolvimento.
 1ª aula
Converse com os alunos sobre o que eles já sabem a respeito da Amazônia. Discuta as informações levantadas pela classe e peça que registrem em seus cadernos. Esses pontos serão retomados ao final da sequência. Em seguida, divida a turma em pequenos grupos e peça que observem os mapas a seguir. Pergunte aos alunos por que dizemos que não existe uma Amazônia, mas várias?
Bioma Amazônia
Bioma Amazônia
Bacia Hidrográfica Amazônica
Bacia Hidrográfica Amazônica
Amazônia Legal
Amazônia Legal
 De acordo com os mapas, os estudantes devem perceber que temos a Amazônia Legal, o bioma Amazônia, a Bacia Hidrográfica Amazônica, além da divisão político-regional do país que estabelece a Região Norte. Apresente informações sobre cada uma delas, utilizando o texto a seguir.
Amazônias
Bacia Amazônica: desde sua nascente, na Cordilheira dos Andes, no Peru, até a foz, o Amazonas tem uma extensão de 6.400 quilômetros, superando o Nilo, segundo as últimas pesquisas. É também o maior rio do planeta em vazão, com volume variando de 120 milhões a 200 milhões de litros de água por segundo. Essa vazão de água doce corresponde a 20% de todos os rios do planeta. Estima-se que por dia ele lance no Oceano Atlântico 1,3 milhões de toneladas de sedimentos.

Bioma Amazônia: Corresponde ao conjunto de ecossistemas que formam a Bacia Amazônica. Está presente em nove países da América Latina. Além das florestas tropicais, sua paisagem também é composta por mangues, cerrados, várzeas, entre outros. No Brasil, encontra-se o núcleo dessa paisagem, a hiléia amazônica, com grande concentração de árvores de grande porte, com até 50 metros de altura, tendo o rio Amazonas como eixo que domina 300 quilômetros para cada lado do seu curso, que ocupa 3,5 milhões de quilômetros quadrados.

Amazônia Clássica: É uma divisão política e geográfica, que inclui os seis estados que formam a região Norte: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá. Nessas unidades, predomina a floresta tipo hiléia.

Amazônia Legal: É uma criação administrativa do governo federal, de 1996, que juntou os estados da Amazônia Clássica aos que se situavam em suas bordas (Maranhão, Tocantins e Mato Grosso), tendo com ela certa identidade física, humana e histórica, seja no Meio Norte (pelo lado do Nordeste), como no Planalto Central (pelo Centro-Oeste). Essa região poderia receber recursos dos incentivos fiscais, um fundo formado pela renúncia da União à cobrança de impostos de empreendedores dispostos a investir nessa fronteira ainda pouco conhecida e ocupada. Em vez de aplicarem capitais próprios, esses investidores podiam se habilitar a receber dinheiro que, sem os incentivos, teriam que ser recolhidos ao tesouro nacional na forma de imposto de renda. Esse fundo foi administrado por duas agências federais, a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia - SPVEA (entre 1953 e 1966) e, em seguida, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia – Sudam, extinta em 2000 sob acusações de corrupção. Sua recriação foi prometida, mas até hoje não efetivada.

Fonte: Almanaque Brasil Socioambiental, 2004, p. 74.
Peça aos alunos que montem um quadro-síntese com os dados. Informe também que, apesar da grande extensão, a área do bioma Amazônia conta com apenas 25 milhões de habitantes. Segundo dados do Instituto Socioambiental, descontadas as sobreposições, em 33% do bioma localizam-se áreas protegidas, sendo 21% parques e terras indígenas e 12% unidades de conservação federal e estadual.
2ª aula

Sugira à turma manter os grupos de trabalho e proponha que cada um deles escolha um tema sobre a Amazônia, listados abaixo, para pesquisar e elaborar painéis com textos, fotos, mapas e dados apresentados em tabelas e gráficos:

1. Bioma - formações florestais e outras coberturas, solos e fauna
2. A água na Amazônia
3. Diversidade sociocultural na Amazônia
4. Integração territorial e matriz de transportes da Amazônia
5. Matriz energética da Amazônia
6. Cidades e urbanização da Amazônia
7. Zona Franca de Manaus
8. Agropecuária na Amazônia
9. Extração de madeira, desmatamento e queimadas na Amazônia
10. Áreas protegidas, zoneamento ecológico-econômico e projetos de conservação na Amazônia.

Explique à turma que as pesquisas devem ser realizadas ao longo desta aula e da próxima, e dê algumas orientações e referências para o trabalho. Comente com os estudantes que eles podem encontrar uma série de informações no movimento
Planeta Sustentável e peça que leiam o Especial Amazônia e o artigo Povos da Amazônia, disponíveis no site.

Peça que os alunos levem em conta as diferentes fases e processos de produção do espaço da região, e comente com eles o período da borracha, no século 19, e os planos de desenvolvimento regional, nos anos 1970. Lembre-os, também, de que, apesar da riqueza regional, a população da Amazônia apresenta dificuldades de acesso aos recursos e serviços básicos. Diga à classe que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Pnad/IBGE de 2006, apenas 56% dos domicílios estavam ligados à rede de água e somente 4% dos domicílios tinham acesso à rede de esgotos.

Apresente aos alunos, ainda, os mapas a seguir:
Mapa 1 – Amazônia Legal: logística de transportes – 2006
Mapa 1 – Amazônia Legal: logística de transportes – 2006. Fonte: BECKER & STENNO, p. 86.
Mapa 1 – Amazônia Legal: logística de transportes – 2006. Fonte: BECKER & STENNO, p. 86. CLIQUE PARA AMPLIAR

Mapa 2 – Amazônia: desmatamento e Unidades de conservação
Mapa 2 – Amazônia: desmatamento e Unidades de conservação. BECKER & STENNO, p. 74.
Mapa 2 – Amazônia: desmatamento e Unidades de conservação. BECKER & STENNO, p. 74. CLIQUE PARA AMPLIAR

3ª aula
Acompanhe o trabalho dos grupos e destaque alguns pontos importantes. Sobre a configuração do bioma e do meio físico, chame a atenção para o fato de a região estar em clima equatorial, com temperaturas médias em torno de 26 a 27 graus Celsius e elevada pluviosidade. A diversidade de coberturas compreende as matas de terra firme – livres de inundações –, recobrindo cerca de 80% da Amazônia no país. As matas de várzea ocupam terrenos ao longo dos rios de águas claras, como o Amazonas, o Madeira e o Purus, e as matas de igapó podem ser encontradas nos terrenos mais baixos e úmidos.

Ressalte também que grande parte dos solos amazônicos é ligeiramente ácida, arenosa e com baixo teor de nutrientes. O que sustenta a portentosa floresta, portanto, é o complexo sistema de ciclagem dos nutrientes.

Mostre também o arco do desmatamento, longa faixa do leste do Pará a Rondônia, fortemente afetada pela expansão das frentes agropecuárias e madeireiras - e seus riscos para as comunidades ribeirinhas, indígenas e outros povos da floresta.

Comente com a classe que a biodiversidade é o maior patrimônio da região e também do país. A flora compreende algo em torno de 30 mil espécies. São cinco mil espécies de árvores, contra apenas 650 na América do Norte. Quanto à fauna, destacam-se as espécies de peixes, aves e artrópodes – insetos, aranhas etc – além de quase duas mil espécies de borboletas. Com base nessa riqueza, multiplicam-se os usos com a “floresta em pé”, pesquisas, bioindústrias, plantas para fitomedicamentos e cosmética, coleta e processamento de produtos florestais, manejo florestal e outros. (Para saber mais sobre outros projetos, leia o artigo Fundo Amazônia já tem projetos, disponível no site do Planeta Sustentável).

4ª e 5ª aulas
Reserve tempo e espaços para que os grupos finalizem os painéis e organizem roteiros de apresentação dos resultados. Promova a apresentação dos grupos e discuta os resultados com a turma. Elabore, com a participação de todos, um quadro-síntese sobre a Amazônia. Em seguida, proponha que cada aluno volte às impressões iniciais registradas na primeira aula e solicite que escrevam em que medida os novos dado confirmaram as hipóteses iniciais.

Avaliação
Leve em conta a participação de cada um nos momentos individuais e coletivos. Examine a correção de dados, mapas e textos e a disposição dos elementos do painel. Avalie o domínio de noções, conceitos e processos que são uma chave para o entendimento da realidade amazônica, de acordo com os objetivos propostos. Reserve um tempo para que a turma avalie a experiência e considere a possibilidade de novos desdobramentos para o trabalho. 

Biomas brasileiros: Parte 1 - mapeamento

Objetivos
Identificar as características dos biomas brasileiros e avaliar a importância da preservação de sua biodiversidade. Estabelecer relações entre as coberturas vegetais, fauna, clima, relevo, solos e recursos hídricos em biomas e ecossistemas situados no território brasileiro.
Ler e interpretar informações em diferentes representações cartográficas.

Conteúdos
Biomas brasileiros: caracterização, distribuição, usos, riscos e ameaças
Domínios morfoclimáticos brasileiros
Seres vivos e meio físico: interações ecológicas
Biodiversidade: níveis e escalas

Anos
6º ao 9º ano

Tempo estimado
6 aulas

Introdução

Esta sequência didática é a primeira de uma série de oito propostas sobre os biomas brasileiros para Ensino Fundamental II. A partir de pesquisas, produção de textos e mapas, painéis e debates, os alunos vão entender a complexidade dos biomas do país e avaliar sua diversidade natural, hoje ameaçada pela expansão econômica e por algumas formas de uso e ocupação do território.

Nesta primeira sequência, a turma vai compreender os conceitos de biomas e domínios morfoclimáticos e aprender as principais características naturais do Brasil. Os estudantes vão entender, também, quais os efeitos do uso e da ocupação da terra para a preservação da diversidade natural brasileira. Confira as demais sequências da série ao lado.
Desenvolvimento

1ª aula
Faça uma roda de conversa com a turma sobre o que eles já sabem a respeito dos biomas brasileiros. Peça que descrevam os aspectos naturais do local em que vivem e digam como se inserem no quadro nacional.

Anote os resultados no quadro e proponha que a turma realize uma atividade de campo, em que observem o bairro ou município em que vivem. Para isso, divida os alunos em grupos e peça que elaborem um pequeno roteiro de observação. Oriente-os a incluir os seguintes pontos: espécies de plantas encontradas; porte da vegetação; características dos solos: fauna associada: aspectos climáticos, relevo e hidrografia.

2ª aula
Organize a visita e escolha um local adequado para a atividade – pode ser uma unidade de conservação no município, uma visita à área rural, ou mesmo uma volta no bairro. Acompanhe os alunos durante a atividade e aproveite para destacar as interações ecológicas do meio: presença de umidade, porte da vegetação, luminosidade, relevo e distribuição das plantas. Os registros podem ser feitos por escrito e por meio de desenhos e fotografias.

3ª aula
Já na sala de aula, peça que a turma finalize os relatórios de observação. Se os alunos não conseguirem responder a todas as questões do roteiro durante a atividade de campo, eles podem realizar pesquisas na sala de aula ou na internet.

4ª aula
O passo seguinte é entender os conceitos de bioma e domínio morfoclimático, e aprender quais os ecossistemas presentes no território brasileiro. A partir daí, a turma poderá relacionar as informações de sala de aula com os resultados do trabalho de campo e entender como o local em que vivem se insere na Geografia nacional.

Comece a aula pedindo que os alunos se reúnam nos grupos e observem o mapa e o quadro abaixo:

Brasil - Biomas

Mapa de Biomas do Brasil. Fonte: IBGE - Ministério do Meio Ambiente, 2004
Mapa de Biomas do Brasil. Fonte: IBGE - Ministério do Meio Ambiente, 2004


Biomas continentais brasileirosÁrea aproximada (km2)Área /total Brasil
Bioma Amazônia
4.196.943
49,29%
Bioma Cerrado
2.036.448
23,92%
Bioma Mata Atlântica
1.110.182
13,04%
Bioma Caatinga
844.453
9,92%
Bioma Pampa
176.496
2,07%
Bioma Pantanal
150.355
1,76%
Área total do Brasil
8.514.877
 


Com base neles, peça que os alunos levantem as principais características dos biomas brasileiros. Solicite que anotem as observações feitas e comente com eles os resultados encontrados.

A turma deve perceber que o Brasil é dividido em seis grandes unidades continentais, sendo a Amazônia a mais extensa, recobrindo quase 50% do território nacional e parte de países vizinhos como Peru, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Do ponto de vista da cobertura vegetal, explique que são florestas amazônicas, assim no plural, pois temos as matas de terra firme, várzea e igapó.

Comente com a turma que outro bioma florestal, a mata Atlântica, está associada à umidade e aos ventos alíseos vindos do oceano. Sua distribuição azonal e suas altitudes variadas lhe conferem elevada diversidade de plantas e animais. O bioma apresenta florestas costeiras e interiores – ou de altitude – associadas a outros ecossistemas, como matas de restinga, estuários, campos de atitude, manguezais, mata dos pinhais e ilhas de cerrado. (Para saber mais, leia a reportagem Era uma vez a Mata Atlântica, disponível no site do Planeta Sustentável).

Somam-se a essas duas grandes áreas florestais, as coberturas vegetais abertas – como os cerrados,
segundo maior bioma do país, a caatinga e os pampas – e o conjunto complexo do Pantanal, uma grande planície de inundação recoberta em sua maior parte por vegetação aberta.

Entendidos os biomas, explique à classe que essa é a classificação do território mais usada atualmente, mas existe também outra bastante importante, que eles já devem ter ouvido falar: os domínios morfoclimáticos. Apresente aos estudantes o mapa abaixo e peça que observem diferenças em relação ao primeiro:
Domínios morfoclimáticos. Fonte: Aziz N. Ab’Saber, 1975.
Domínios morfoclimáticos. Fonte: Aziz N. Ab’Saber, 1975.

Ouça as sugestões da turma e explique a eles como surgiram os dois conceitos e suas características principais (sabia mais no texto abaixo).
Texto de apoio ao professor -  Biomas e domínios morfoclimáticos

As diversas paisagens que se estendem pelo globo terrestre podem ser agrupadas segundo alguns critérios, capazes de agregar regiões com características semelhantes e facilitar o entendimento dos fenômenos naturais e sociais. Quando falamos em paisagens naturais, há dois conceitos importantes: bioma e domínio morfoclimático.

De origem grega, a palavra bioma (bio = vida + oma = grupo) foi utilizada pela primeira vez nos anos 1940 por Frederic Clements para designar grandes unidades caracterizadas pela uniformidade na distribuição e predomínio de espécies de flora e fauna, associadas a relevo, solos e macroclimas. Mais tarde, a classificação foi aprimorada, passando a designar grandes unidades com características semelhantes no que se refere à sua fisionomia, formas de vida, estruturas e fatores ambientais associados - clima, relevo, solos e hidrografia.

O conceito de domínios morfoclimáticos (morpho = formas + clima) foi proposto nos anos 1970 por Aziz Ab´Saber, sendo utilizado para classificar as interações entre os elementos naturais construídas ao longo do tempo. Os domínios se referem a unidades paisagísticas a partir, em especial, das relações entre clima e relevo, pontuadas por paisagens distintas geradas pela variação de fatores naturais. Dentro do conceito de domínios, são valorizadas as faixas de transição entre uma paisagem e outra, deixando claro que essa passagem se dá de forma gradual e não abrupta.

Atualmente, predomina o conceito de biomas, mas é importante que a turma entenda também a ideia de domínios morfoclimáticos e consiga perceber que existem zonas de transição entre uma paisagem e outra.
Para finalizar a aula, comente com a turma os domínios morfoclimáticos do país. O amazônico é um conjunto de terras baixas com florestas, sob clima equatorial, com umidade constante (Para saber mais, leia o Especial Amazônia, disponível no site do Planeta Sustentável).Os mares de morros correspondem, por sua vez, a uma faixa com a presença de topos de morros aplainados, convexos, como se fossem meias-laranjas, recobertos em grande parte pela mata Atlântica. Entre outros conjuntos, estão a depressão sertaneja – com a presença de caatingas – e os chapadões do Planalto Central – com cerrados e matas-galeria acompanhando os rios. Destaque no mapa a presença das faixas de transição - como o agreste nordestino.

5ª aula
Na quinta aula, discuta com a moçada os riscos e ameaças aos biomas brasileiros, os limites do processo de ocupação e a necessidade de medidas e políticas públicas de proteção. Peça que examinem o mapa a seguir e comentem as principais informações encontradas:

Brasil - Domínios naturais: limites e ameaças

Domínios naturais: limites e ameaças. Fonte: THÉRY, H.; MELLO, Neli. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do Território. São Paulo: Edusp, 2006, p. 70
Domínios naturais: limites e ameaças. Fonte: THÉRY, H.; MELLO, Neli. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do Território. São Paulo: Edusp, 2006, p. 70

Com base no mapa, discuta com a classe os principais desafios de conciliar preservação com o desenvolvimento econômico-social. Peça que a classe observe algumas consequências da ação humana na natureza: desabamentos em morros sem cobertura de matas em áreas urbanas da faixa litorânea, avanço da desertificação no sertão nordestino e o arco do desmatamento na Amazônia oriental, área de expansão de fronteiras econômicas.

Explique a eles que esses problemas não surgiram recentemente, mas são o resultado de anos. Dê o exemplo das matas Atlânticas, porta de entrada para a ocupação histórica do território, hoje reduzidas a 7% de sua cobertura original, com remanescentes que precisam ser preservados em sua biodiversidade. Diga a eles que essas matas abrigam nascentes de cursos d’água e uma incrível variedade de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Elas apresentam a mais rica composição de mamíferos da América do Sul, com macacos-prego, o muriqui, a onça-parda, a jagauatirica, quatis, gambás e outros, vários deles sob ameaça.

Converse com a turma também sobre o progressivo avanço da agricultura moderna sobre os cerrados e os riscos da contaminação de cursos d’água no Pantanal (Para saber mais, leia o artigo Cerrado, um drama em silêncio, disponível no site do Planeta Sustentável). Nos campos do sul, vem avançando a formação de areais, com visível perda de solos e coberturas.

6ª aula
Para finalizar a atividade, peça que os alunos se reúnam nos grupos e proponha que elaborem um painel sobre o tema: “Biomas brasileiros: um mapeamento”. Explique à turma que eles devem representar em seus trabalhos as características dos biomas existentes no país, destacar os problemas enfrentados atualmente – podem ser feitas reproduções dos mapas analisados, acompanhadas de fotografias e ilustrações – e relacionar os traços e elementos naturais encontrados no trabalho de campo ao bioma correspondente. Acompanhe o trabalho dos grupos e esclareça possíveis dúvidas.

Como atividade de casa, solicite que cada aluno elabore um texto resumindo os conceitos aprendidos nesta sequência didática. Explique que o material será usado como apoio para as próximas aulas, em que eles vão analisar, em profundidade, cada um dos biomas brasileiros.

Avaliação
Leve em conta a participação de cada aluno nas tarefas individuais e coletivas e sua contribuição para o enriquecimento das discussões. Avalie a produção de textos – relatórios, sínteses, legenda para o painel – e a organização de textos e imagens no painel, considerando as características dos gêneros e a clareza e organização textual. Observe também o domínio de conceitos apresentados em sala. Se possível, reserve tempo para que a turma avalie a experiência.